Entre encontros, desencontros e amores passageiros, a banda recifense Guma aposta na dança como resposta. O trio lança o segundo álbum de estúdio, Virando Noite, disponível nas plataformas digitais desde 4 de setembro. Com produção de Carlos Filizola e masterização de Paulo Germano, o trabalho reúne 12 faixas autorais e participações de Bruna Alimonda e Uana, além da formação com Katarina Nápoles e Caio Wallerstein.
O disco costura referências diversas que vão do indie pop ao brega e ao tropicalismo, passando por guitarras, synths e processamentos digitais. Três músicas já eram conhecidas do público: Jugular e Paraíso Astral (2021), além de Pecadinho, lançada dias antes da estreia. Para Katarina, a antecipação desses singles foi fundamental para preparar terreno. “Esses singles trazem muito da estética que estamos propondo nesse novo trabalho, com uma pegada mais futurista e que conversa ainda mais com o dream pop”, contou.
As influências internacionais e brasileiras aparecem equilibradas em um pop moderno, que dialoga com nomes como Kali Uchis, Céu, Radiohead, Kraftwerk e Novos Baianos. Segundo Caio Wallerstein, houve amadurecimento na forma de traduzir as sonoridades. “Nesse disco a gente conseguiu traduzir de maneira muito mais segura essas referências pro resultado final”, afirmou o baterista. O resultado é um som mais definido em timbres, arranjos e estruturas.
As parcerias também marcam Virando Noite, trazendo proximidade com a cena local. Bruna Alimonda canta em Mozinho e Uana em Só quando lembro, fortalecendo o vínculo entre artistas pernambucanos. “Os feats foram essenciais para consolidar a sonoridade do disco e fortalecer esse senso de comunidade”, disse Katarina. As duas contribuições destacam diferentes vertentes do brega, ora mais pop, ora mais próximas da música brasileira.
Nas letras, o grupo explora sentimentos cotidianos, entre paixões intensas e desilusões urbanas, sempre com ironia ou vulnerabilidade. “Nossa direção em termos de letras e ‘climas’ segue a mesma: usar nossas interpretações próprias para falar de coisas totalmente comuns e mundanas”, destacou Carlos Filizola. A proposta é oferecer uma experiência de identificação ao ouvinte, capaz de transformar o banal em novidade sensível.
Formada em 2018, a Guma estreou com o álbum Cais e logo se consolidou nos palcos do Recife, participando de festivais como No Ar Coquetel Molotov e Rec’n’Play, além de circular por outros estados. Agora, parte do grupo vive em São Paulo, o que amplia o alcance nacional. Para Filizola, a nova fase também traduz inquietação: “Existe no som dessas músicas um desejo de experimentar algo de maneira coletiva e de passar dessa borda da escuta individual”, refletiu.