O coletivo Rasura transforma o espaço urbano em palco com o espetáculo “Ris(c)o”, que explora os significados do riso e do risco em uma experiência de corpo e som. A proposta ocupa ruas do Recife, Olinda e Camaragibe com cinco apresentações gratuitas, reunindo dança e música ao vivo inspiradas nas culturas populares. A estreia será no dia 25 de outubro, às 16h, na Rua da Moeda, no Recife Antigo.
Inspirado em manifestações populares, o espetáculo revisita expressões como frevo, maracatu, caboclinho e bregafunk, além de ritmos de matrizes africanas e da música instrumental pernambucana. “Ris(c)o” propõe uma escrita no tempo, resgatando memórias e histórias das ruas por meio do corpo. A montagem também dialoga com o dualismo dos movimentos de Exu e das Mestras, explorando gestos, encontros e brincadeiras que revelam símbolos e significados das encruzilhadas.
A criação parte da ideia de um corpo atento e ágil, tensionado entre o perigo e a alegria. “O que significa correr risco, por exemplo? O risco de cair, a necessidade de equilibrar-se, espiar, observar, fugir, avançar, correr, saltar. Além disso, a palavra também soa como Riso, e sempre foi um mote de Rasura a ideia de ‘Organizar a raiva e defender a alegria’”, explica Mayara Ferreira. Para ela, o espetáculo também celebra a gargalhada, a tiração de onda e o espírito brincante das ruas.
A trilha sonora original, composta por Filipe de Lima e dirigida com Gabi Carvalho, é executada ao vivo sobre uma base gravada, ampliando a imersão do público. “Optamos pelos instrumentos de pele e efeitos executados por Kalua do Rolete, muito presente nas celebrações de matriz afro-indígenas, e o trompete com Hallan Martins que representa muito esse encontro com as orquestras de frevo de rua, maracatu rural, afrobeat e jazz”, detalha Gabi.
Criado em 2021 por Mayara Ferreira, Yanca Lima e Gabi Carvalho, o coletivo Rasura é formado por mulheres negras e jovens que investigam manifestações culturais afro-diaspóricas e indígenas. O grupo contou com preparação corporal de Duda Serafim, Ju Zacarias e Marcos Teófilo. As próximas apresentações estão marcadas para a Praça da Várzea (1º de novembro) e o Largo da Bomba do Hemetério (29 de novembro), com outras datas a anunciar. A circulação tem apoio dos editais Aldir Blanc Recife e Pernambuco 2024.
Serviço:
Circulação Recife
25 de outubro: Rua da Moeda (Recife Antigo), às 16h
1º de novembro: Praça da Várzea, às 16h
29 de novembro: Largo da Bomba do Hemetério, às 16h