aCena Recifense entrevista Papôla

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O aCena Recifense bateu um papo com a banda Papôla, um dos nomes considerados como apostas da música pernambucana pelo nosso portal. Confira!

O INÍCIO DA BANDA

“A Papôla surgiu de umas experimentações que nasceram num projeto inicial de Pedro Bettin, ainda em 2024. Nessa época a gente se via bastante no Secreto Estúdio, lugar que já era ponto de encontro nosso, e onde rolavam vários projetos paralelos. Foi nesse ambiente que eu (Dalia), Beró, Pedro e Saulo fomos nos somando, trazendo novas ideias e referências que começaram a se misturar ao que já existia.”

“Aos poucos, aquelas sessões de teste, risadas e colaborações foram virando outra coisa, ganhando corpo. A gente viajava em referências bem específicas, como bandas de citypop, e a estética foi se desenhando quase sozinha, até resultar no que hoje é a Papôla.”

A CONTRIBUIÇÃO DA PAPÔLA

“”Acho que o que trazemos de novo é a liberdade de misturar influências sem medo, mas sem precisar cair na caricatura do que é “ser brasileiro”. A gente não pensa “ah, precisa ter cuíca aqui”, mas se a gente sentir que necessita, aparece. A música acaba sendo aberta a refrões pop, solos de jazz, guitarras rock’n’roll, samples, distorções loucas e etc. A gente não tem uma linha reta, mas tem uma identidade, porque é tudo muito sincero. A Papôla parte de uma proposta de resgate do pop/rock clássico brasileiro, misturando ao jazz fusion, funk, soul e a tudo que nos interessar. Como gostamos muito desse tipo de música e era difícil encontrar esse som por aqui, foi um movimento quase natural montar um projeto assim.”

O PRIMEIRO ÁLBUM

‘”Nossos três primeiros singles ainda nasceram no estúdio de Pedro Bettin. ‘Canga’ já era uma composição dele e de Cacau. “Contramão” e “Pé de Coelho” vieram de demos antigas, que estavam guardadas. Eu (Dalia), Pedro e Bero começamos a lapidar essas ideias com letras e melodias. Isso foi no fim de 2024. Depois o estúdio fechou e a gente ficou cada vez mais lo-fi (risos).”

“Eu comecei a montar demos em casa, sampleando baterias, gravando baixo, guitarras e bases. Aí Beró colava aqui direto, de dezembro à janeiro, fazendo maratonas para criar melodias e letras. Rafael Zimmerle, nosso amigo da Qampo, também trouxe várias ideias de letra e melodia. Tiveram músicas que veio de anotações antigas de Beró, mas a maioria nasceu desse intensivão. Depois chamamos Guilherme Calado pros teclados (gravados também em casa, com notebook e cabo midi), Saulo fez as guitarras e elevou tudo, e até Benke Ferraz gravou uma guitarra numa visita rápida. No fim das contas, foi tudo colaborativo e barato mas com bastante suor.”

“A ideia inicial era brincar com esse imaginário do citypop, Tom Tom Club e do som brasileiro dos anos 80: Rita Lee, Marcos Valle, Djavan, mas sempre com uma intenção de deixar mais alternativo. Daí o disco tem esse espírito de ser um caldeirão que mistura rock, jazz e bizarrices. E, sem querer, acabou surgindo um sotaque pernambucano em algumas partes. O final de Coitadolândia, por exemplo, tem uma convenção que é praticamente um frevo, tanto que a gente chama até hoje de ‘final meio Alceu Valença’ (risos). Mas é isso: não foi planejado como ‘vamos colocar Pernambuco aqui’. Simplesmente vazou.”

“O lançamento desse disco veio quase como um respiro aliviado pra todos nós, depois de um ano bastante movimentado. E a cada show ou viagem que fazíamos, aumentava bastante nossa ansiedade pra jogar esse trabalho no mundo. Esperando Sentado, Pagando Pra Ver é como uma celebração de superar as dificuldades apesar das circunstâncias. Pra gente, tudo já é lucro. A gente faz porque gosta, porque precisa se expressar. Esse disco já deixou a gente animado pra continuar: fazer show, lançar umas camisas, pensar num segundo álbum… Mas o mais importante é manter o ânimo de criar, independente de onde isso vai dar.”

O FUTURO DA PAPÔLA

“Por agora, definitivamente é sair por aí tocando nosso álbum, mas já pensando nas próximas músicas. Acho que podemos falar que já temos um show de lançamento no horizonte, e se quiserem saber mais informações vão ter que ficar ligados nas nossas redes sociais hehe.”

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