aCena Recifense entrevista Don L (CE)

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O rapper cearense Don L retorna ao Recife para se apresentar no festival após sua última apresentação no evento, em 2022. O artista sobe ao nos palcos do Coquetel com a turnê do seu mais novo disco, “CARO Vapor II – qual a forma de pagamento?”, projeto que dá continuidade à mixtape “CARO Vapor”, de 2013 e que é o ponto de partida da nossa entrevista com o cantor. Confira:

A mixtape “Caro Vapor” foi lançada em 2013, e neste ano você lançou o que podemos chamar de uma continuação, o álbum “CARO Vapor II – qual a forma do teu pagamento?”. De onde veio a necessidade e a vontade de continuar esse projeto após 12 anos?

“Eu sempre tive vontade de dar continuidade ao projeto ‘CARO Vapor’. Quando eu fiz o volume 1, ele era uma mixtape e eu pretendia que, em algum momento, fosse feito um álbum que fosse o volume 2. Tanto é que já tinha lá escrito ‘volume 1’! Você só coloca ‘volume 1’ se você tiver pretensão de fazer o volume 2. Então eu já tinha essa ideia e esperei chegar o momento e as condições necessárias também, porque eu levo muito a sério o meu trabalho e porque eu sabia que tinha que fazer algo que ficasse na altura da mixtape, que é clássica já no rap brasileiro. Não podia ficar abaixo disso!”

Em “Caro Vapor II” você o seu rap atravessou o baião, samba-jazz, MPB e a música eletrônica. Como você encontrou o ponto de equilíbrio entre tradição e modernidade? Qual a importância dessa junção para você?

“Eu acho que unir a modernidade à tradição na minha música, como ocorre nesse álbum, é o que eu tenho feito desde sempre e cada vez mais eu vou aperfeiçoando isso. Acho que desde o Costa a Costa, meu antigo grupo, eu já sampleava carimbó, baião, samba, essas coisas. Em ‘CARO Vapor II’ eu não queria nada que fosse gringo. Nenhuma batida gringa. Eu queria que tudo fosse algo que viesse da nossa tradição musical, utilizando o método do hip hop, que envolve os samples, drum machines, sintetizadores… Então, foi isso que eu fiz e as coisas foram seguindo naturalmente.”

Apesar de um certo domínio histórico do “eixo” Rio-São Paulo, o rap nordestino vem ganhando grande destaque ao passar dos anos. Como você enxerga o movimento na região? Quais são nossas potências e diferenciais?

“Eu acho que nós, nordestinos, sempre tivemos uma tradição criativa muito grande na música brasileira e participamos de todos os movimentos culturais. Se você reparar, todo movimento musical brasileiro tem grande representação nordestina. Sempre foi assim. Mesmo no rap, quando ele era basicamente feito no Sudeste, se você for pesquisar mesmo a galera que fazia, sempre tem, no mínimo, filhos de nordestinos envolvidos. Mas acho que agora, depois de muito esforço, a gente está conseguindo estar mais em evidência!”

“Por muito tempo o Nordeste foi muito caricaturizado como se a região fosse só agreste e sertão, enquanto o rap é um estilo de música urbana. Porém, hoje em dia, já não tem mais isso, pois até o sertão tem uma cultura urbana e tem muita gente lá ouvindo rap! No rap do Nordeste a gente também fala de favela, de morro… então o Brasil foi começando a entender que aqui é um lugar como qualquer outro no país, que tem suas características próprias, mas que tem muita coisa em comum com o resto do Brasil também.”

Como você enxerga a inserção do rap em festivais de música alternativa pelo Brasil?

“Isso é outra parada que demorou, mas que estamos conquistando. Geralmente o rap só alcançava esse lugar através de artistas do mainstream, mas agora a gente já tem um olhar para os nichos. Tem muitos artistas que tem números, mas não tem público, porém eles sabem que a gente tem muito público, que nossos fãs são fiéis! Eu, por exemplo, tenho a noção de que toda vez que a galera me inclui num festival, eu movimento muita bilheteria para eles. Tem muita gente que vai comprar o ingresso do festival para ver o meu show.”

“Acho que os festivais veem a presença do rap de forma mercadológica. Mas existem aqueles que realmente sempre olharam para a música underground e independente, como Coquetel Molotov!”

Para finalizar: quais são as expectativas para o show no Festival No Ar Coquetel Molotov? O que o público pode esperar?

“Faz muito tempo que eu não vou ao Recife e estou muito ansioso por esse show! Acho que vai ser emocionante, que vai ser quente! O ‘CARO Vapor II’ tem um impacto quando você escuta, tem um impacto quando você assiste os visualizers e tem o impacto do show, então acho que as pessoas vão poder sentir outros aspectos da música através da nossa apresentação. A gente preparou uma coisa especial para o público, a nível de imagem, de luz, de telão, de performance… Queremos que a galera sinta todo o conteúdo do disco da forma mais completa possível! Vai ser uma experiência completa!”

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