Amanda de Souza une tecnologia e ancestralidade em nova exposição no Recife

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A artista visual Amanda de Souza inaugura no dia 14 de novembro, na Torre Malakoff, no Recife, a exposição “Cidade das Mestras”, que une arte digital, ancestralidade e espiritualidade afro-indígena. A mostra apresenta releituras de retratos de mulheres negras dos séculos XIX e XX, transformando fotografias históricas em pinturas digitais inspiradas em entidades femininas da Jurema Sagrada. Reafirmando a arte como instrumento de memória e reparação, a exposição propõe um olhar contemporâneo sobre o legado das mulheres negras na cultura brasileira e fica em cartaz até 25 de fevereiro de 2026.

O projeto dá continuidade à pesquisa iniciada em “A sua casa não tem porta e nem janela”, exibido entre 2023 e 2024 na Capela do Engenho Massangana (FUNDAJ). Nesta nova etapa, Amanda de Souza constrói uma cidade simbólica onde as mestras espirituais da Jurema ganham corpo, cor e protagonismo.

Com curadoria do antropólogo Cleonardo Maurício Júnior, do Museu Nacional (RJ), a mostra valoriza figuras femininas apagadas pela história oficial. As obras partem de registros coloniais de mulheres negras, muitas delas amas de leite e trabalhadoras escravizadas, e as reconstroem como símbolos de poder, fé e resistência.

“Essas mulheres foram fotografadas num contexto de dominação, mas, ao trazê-las de volta como mestras espirituais, devolvo a elas o poder de narrar suas próprias histórias”, afirma a artista. “É usar a tecnologia a serviço da tradição, para reencantar o passado e honrar quem veio antes.”



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