Iniciada na quinta-feira, a Sambada da Mestra Lusitânia continua no Ilê Axé Oxum Ipondá, em Jardim Fragoso, em Olinda, com atividades gratuitas até 22 de novembro. A agenda inclui oficinas, teatro, programação infantil, filmes e exposição fotográfica. A realização é do Centro Cultural Aurora Candidé, ligado ao terreiro. Desde 2017, a sambada fortalece o papel do Ilê como espaço de cultura e memória. Toda a programação acontece na rua João José Tertuliano, 305.
A programação tem como base a valorização da ancestralidade e das vivências comunitárias. “As atividades têm como propósito estimular as pessoas da comunidade local e possibilitar vivências artísticas e culturais gratuitamente na periferia, trazendo memórias do que veio antes e pautas sobre racismo estrutural e intolerância religiosa”, afirma Ina T’Osun. Para ela, os encontros fortalecem a espiritualidade e a resistência do povo preto e indígena. A sambada reúne artistas, bandas e coletivos de Pernambuco, especialmente da RMR. Este ano, conta com incentivo do PNAB, da Prefeitura de Olinda e de apoiadores.
A abertura, no dia 13, trouxe dança, música e a exposição fotográfica “Entre Mundos – O Sagrado e o Profano caminham juntos”, criada com imagens produzidas pelas próprias pessoas do terreiro. Nos dias seguintes, a programação teatral ocupou o espaço com montagens para diversos públicos. Entre elas, estão “Eu conto, Tu Contas, Nós Contamos: UBUNTU – Uma Linda Aventura na Floresta Afrobrasilandia”, “Teatro Lambe-lambe Igbá Itan”, “Histórias Bordadas em Mim” e “Hblynda em TRANSito”. As apresentações acontecem sempre no período da tarde e noite. Todas têm classificação livre ou indicativa leve.
As oficinas formativas começam a partir de 18 de novembro, com percussão, dança afro e colagem digital inspirada na Jurema. No dia 20, o Cine de Terreiro exibe curtas-metragens pernambucanos sobre matrizes africanas, como “Povo de Rua”, “Aldeias”, “Oxum: Cantos e Contos” e “Iansã: o que o vento nos trouxe”. Após a sessão, ocorre uma roda de conversa sobre cinema e ancestralidade. O evento reforça a sambada como espaço de criação coletiva e formação artística. “É essencial que o terreiro, além de espaço de fé, continue sendo uma possibilidade de transformação social”, pontua Ina T’Osun.
O encerramento acontece no dia 22, das 17h à meia-noite, com shows de grupos autorais da cultura popular. Sobem ao palco Abê Adu Lofé, Coco Chinelo de Pau, Bongar e Coco dos Pretos, celebrando a Mestra Lusitânia e sua força na musicalidade da Jurema Sagrada. A sambada homenageia a entidade espiritual conhecida pela alegria, energia e vínculo com o Coco de Roda. Para a comunidade, a festa é também afirmação das raízes do povo de terreiro. Assim, o evento conclui mais uma edição reforçando identidade, memória e pertencimento.
Programação:
14/11 (sexta-feira)
Teatro para infância: “Eu conto, Tu Contas, Nós Contamos: UBUNTU – Uma Linda Aventura na Floresta Afrobrasilandia” (Grupo São Gens)
Horário: 19h
Classificação: livre
15/11 (sábado)
Infantil: “Teatro lambe-lambe Igbá Itan” (Raquel Franco)
Horário: 17h
Classificação: livre
Teatro adulto: “Histórias Bordadas em Mim” (Agrinez Melo)
Horário: 19h
Classificação: dez anos de idade
16/11 (domingo)
Teatro adulto: “Hblynda em TRANSito” (Hblynda Morais)
Horário: 19h
Classificação: dez anos de idade
18/11 (terça-feira)
Oficina de percussão (Juninho Panda)
Horário: 14h
Duração: duas horas
Vagas: dez
Classificação: livre
19/11 (quarta-feira)
Oficina de dança afro (Aline Gomes)
Horário: 18h30 às 21h
Duração: duas horas
Vagas: 20
Classificação: livre
20/11 (quinta-feira)
Oficina: códigos da jurema – colagem digital (Brunna Martins)
Horário: 14h
Duração: três horas
Vagas: dez
Classificação: dez anos de idade
Cine Terreiro
Exibição de filmes de curta-metragem (temática: matrizes africanas): “Povo de Rua” (direção: Aline Gomes); “Aldeias” (direção: Agrinez Melo); “Oxum: Cantos e Contos” (direção: Brunna Martins); “Iansã: o que o vento nos trouxe” (direção Zé Iná).
Roda de conversa: cinema e ancestralidade
Horário: 19h
Classificação: livre
22/11 (sábado)
Shows: Abê Adu Lofé , Coco Chinelo de Pau, Bongar e Coco dos Pretos
Horário: 17h às 0h
Classificação: livre