aCena Recifense entrevista Geni

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Com EP novo na área, Geni é um dos destaques da música eletrônica underground de Pernambuco e nós, do aCena Recifense, batemos um papo especial com a artista! Confira:

O INÍCIO DE TUDO:

Acho que a música sempre esteve ali comigo, mesmo quando eu nem percebia. Quando eu era mais nova, vivia grudada na PlayTV, consumindo música pop, internet, videoclipes… essas coisas que vão moldando a gente sem a gente notar. Em algum ponto, virou a chave: percebi que era isso que eu queria pra mim, que meu lugar era criando, performando, experimentando som. Foi meio natural, quase inevitável.”

A MÚSICA ELETRÔNICA NO NORDESTE

Fazer parte do cenário underground da música eletrônica no Nordeste é muito instigante! Sou muito feliz de estar crescendo junto de tanta gente talentosa que me impulsiona a melhorar. E eu sou super bairrista mesmo — acho que a gente entrega muito, sabe? A gente faz acontecer com pouco, mas com muita criatividade e intensidade e eu amo fazer parte disso. O Nordeste inventa moda, inventa som, inventa futuro.

O EP CLUBSOMNIA – Após lançametos de singles, parcerias e remixes avulsos, Geni entregou ao mundo “CLUBSOMNIA”, seu EP de estreia, que representa uma travessia entre sonho e realidade, um “clube dos sonhos” onde o orgânico e o digital coexistem.

“O EP acabou sendo essa mistura: club music com clima onírico. Synths mais suaves, texturas melódicas, batidinhas inspiradas no 2-step, vocal chops… tudo meio brisado, meio suave, meio ‘dançar dentro de um sonho’.

“CLUBSOMNIA nasceu de uma vontade de entrar em outra vibe, de acessar uma sensibilidade que eu ainda não tinha deixado aparecer tanto antes. Eu tava ouvindo muito PinkPantheress, Erika de Casier, Marisa Monte, e fiquei obcecada com “Tudo o que Você Podia Ser” do Milton Nascimento. Ao mesmo tempo, eu tava super mergulhada em jogos — Genshin, RPGs, MMOs — e isso acabou puxando essa coisa de fantasia, sonho, mundo paralelo.”

“Acho que tudo que eu faço nasce do que eu tô vivendo. E nesse período, eu tava muito afim de leveza, de respiro. Meu dia a dia tava cheio de demandas, cobranças, obrigações… então a fantasia virou meu jeito de escapar um pouquinho. E como eu sempre fui cadelinha de jogos, mundos mágicos, coisas etéreas, isso acabou entrando naturalmente no som.”

Antes, eu tava num momento mais duro: vivendo minha transição, sendo um corpo travesti em Recife… e aí, pra sobreviver, você cria uma armadura mesmo. E essa armadura virava som: mais barulhento, mais combativo, mais grito. Com CLUBSOMNIA, eu senti que precisava criar um outro mundo. Uma ficção pra eu respirar dentro. E fui percebendo que ficcionar também é uma arma, sabe? É uma forma de tensionar a realidade opressora que a gente vive e imaginar outras possibilidades. É leveza, mas é também resistência.

O FUTURO DE GENI

“Quero muito tocar mais fora de Pernambuco, viajar pelo Brasil, conhecer lugares que nunca fui. Também quero colaborar com gente que admiro muito, produtores que acompanho faz tempo. Acho que o futuro de GENI é isso: continuar criando mundos, misturando club com poesia, com sensibilidade, com fantasia… e ver até onde isso pode me levar.”

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