Uma das maiores revelações do rap local, Relikia conversou com o aCena Recifense sobre tópicos como sua trajetória, o papel da mulher no rap e seu mais novo disco, “Maioridade 18”. Confira:
RELIKIA E O RAP
“Eu conheço o rap desde que eu me entendo por gente. Cresci muito próxima do meu tio que morava comigo e que, na adolescência, fazia parte de um grupo de rap. Ele foi meu maior incentivo na infância e teve papel essencial na minha formação artística. Com apenas 7, 8 anos eu comecei a escrever minhas primeiras músicas, e mesmo sem entender totalmente qual era o alcance daquilo, eu sentia que o rap era o espaço onde eu podia me expressar. Com o passar do tempo essa relação foi amadurecendo e, de forma natural, o rap deixou de ser só uma paixão de infância e passou a se tornar o meu caminho profissional.”
O PROTAGONISMO FEMININO NO RAP DE PERNAMBUCO
“Eu vejo o crescimento do espaço das mulheres no rap de Pernambuco como algo muito necessário e realmente poderoso, tá ligado? O rap local tá cada vez mais diverso, forte e respeitado. As nega tão ocupando o espaço que antes era majoritariamente masculino, tá ligado? Isso é muito visível! Tem grandes nomes aí, da galera que tá se levantando agora e trazendo novas narrativas, novas estéticas, outras formas de falar de vivências, lutas, identidade…”
“Ainda existem muitos desafios pela frente e a gente sabe disso, mas, ainda assim, eu vejo que hoje a cena tá muito mais aberta para ouvir e valorizar a voz feminina.”
O ÁLBUM “MAIORIDADE 18”
“O processo de criação do álbum foi muito intenso e carregado de significados. O título, que foi desenvolvido com a ajuda de Brenu, tem várias interpretações, mas eu costumo dizer que ‘legalizou’ meu trabalho. É como se o álbum representasse o momento em que eu posso falar de forma explícita, direta e sem censura sobre a vivência da favela e tudo que me marca como artista e como pessoa também. Um detalhe importante é que muitas dessas músicas foram escritas quando eu ainda tinha 15, 16, 17 anos, inclusive a introdução do álbum.”
“’Maioridade 18′ carrega pensamentos, sentimentos e experiências de diferentes fases da minha adolescência e que agora estão ganhando forma e voz nesse momento de amadurecimento, vindo aí acompanhados com beats diferentíssimos, trazendo de fato a originalidade.”
OS DESTAQUES DO ÁLBUM
“Os pontos altos de ‘Maioridade 18’ estão na verdade que o projeto carrega. É um projeto que não busca agradar todo mundo, essa não é a intenção, nunca vai ser, mas é sobre ser fiel às minhas vivências, tá ligado? Às minhas ideias, à minha identidade artística, principalmente. As letras são diretas, carregadas de experiências reais e o conceito do álbum reflete as diferentes fases do meu crescimento. Outro ponto forte é a evolução artística presente no álbum, tanto minha, quanto de Brenu, Vitinho Polêmico, TremSete e outros envolvidos, que mostra a nossa maturidade sem abrir mão da essência do rap!”
AS COLABORAÇÕES DO PROJETO
“A colaboração com o Vitinho Polêmico aconteceu de forma bem espontânea. Eu tinha gravado uma música chamada ‘Uma Bala’, na minha gravadora, que é a Subsolo. E em uma sessão diferente de estúdio, que ele estava lá com o Brenu, mas eu não estava presente, ele escutou essa guia e quis escrever, quis pular dentro e enfim, eu vi que se encaixava perfeitamente na estética do álbum e a gente meteu marcha.”
“Já com o TremSete a gente gravou juntas ‘Mil Lutas e Mil Letras’, quando eu tinha 16 e ela tinha 17. Era uma música que a gente queria muito ver na rua, mas estávamos no aguardo do momento certo, esse que chegou, com ‘Maioridade 18’, onde a faixa finalmente ganhou o espaço que merecia.”
O FUTURO DE RELIKIA
“Podem esperar a evolução, tá ligado? Além de constância, consistência e muita verdade. Meus planos envolvem lançar novos trabalhos e expandir minha presença na cena, não só regional, como nacional também. Quero fortalecer minha identidade artística e profissionalizar cada vez mais meu trabalho para poder levar minha arte para mais pessoas, ocupar novos palcos e contar minha história por aí, essa que representa quem eu sou e de onde eu vim, coisas que não posso esquecer jamais!”