Tem drag no Agreste! Hoje o aCena Recifense traz uma entrevista com a drag Brittany, diretamente das pistas de Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru. Confira:
O ENCONTRO COM A ARTE DRAG:
“Eu me encontrei com a arte drag quando comecei a assistir RuPaul’s Drag Race. Enquanto maratonava as temporadas eu pensei: ‘é isso que eu quero, quero começar a me montar!’. A partir daí eu aprendi a fazer maquiagem e tudo mais do zero, com a ajuda de muitos tutoriais no YouTube, sempre treinando! Quando eu estava com mais ou menos um ou dois anos de drag eu bati o martelo e decidi, de fato, me profissionalizar e foi aí que começou essa revolução!”
“Ser drag é tão bom e libertador que eu acho que todo mundo deveria se montar pelo menos uma vez na vida para entender o poder que é estar montada!”
DESCREVENDO A SUA PRÓPRIA DRAG:
“Como eu descreveria minha drag? Bom, para quem ainda não me conhece, eu acho que sou muito carismática. Minha personalidade se sobressai muitas vezes. Eu também me acho muito versátil. Se for pra fazer make de Halloween? Eu faço! Make de bonita? Eu faço! Look grande? Eu faço! Look de mapô? Eu faço também. Então, acho que se fosse para me descrever em uma palavra, seria versatilidade!”
UMA DRAG DJ:
“Eu vejo que tem uma pressão muito grande sobre nós que somos drags e DJs. Porque, por exemplo, se uma drag repete um look, já fica o burburinho. Não é o mesmo tratamento com os outros DJs, né? Porque no fim das contas não é só tocar, né? Você tem que performar, tem que estar super animada, tem que dublar o set inteiro e tudo mais… Pelo menos eu sinto isso, que as pessoas esperam isso do meu trabalho, entendeu? Mas eu adoro e acho que é justamente o diferencial de ser uma drag DJ!”
“Porém acho que os cachês para drags DJs deveriam seguir também a nossa linha de entrega, né? Se os cachês já são baixos no Recife, imagina quando a gente leva em conta a situação da produção no agreste? Apesar disso, me sinto super valorizada nas casas de show daqui, como a Haus, POCS e o Sense! Hoje eu consigo dizer: ‘ó, meu cachê é esse e pronto!’.”
A CAMINHADA DE UMA DRAG NO AGRESTE DE PERNAMBUCO:
“Olha, fazer drag no agreste não é fácil! Se para Ruby Nox morando em Recife, já era difícil como ela mesma falou, imagine por aqui, que temos ainda menos oportunidades? Infelizmente no Agreste as pessoas ainda não têm a mente muito aberta para a arte drag. Hoje em dia tá mais tranquilo, mas no começo era bem complicado porque as pessoas confundiam muito com prostituição, com ‘querer ser mulher’ e tudo mais.”
“Mas hoje as pessoas já entendem que é uma arte, uma expressão. Infelizmente muitas das minhas amigas que começaram a se montar comigo já desistiram, mas acho muito importante eu continuar nessa resistência, assim como mais algumas outras amigas!”
“É muito importante que eu seja resistência para que eu possa inspirar outras pessoas a fazerem a arte drag”
O FUTURO DE BRITTANY:
“Eu não sou uma pessoa de muitos planos, principalmente porque minha relação com a arte drag vive numa montanha russa. Às vezes eu estou amando fazer drag, às vezes eu estou querendo parar, mas momento estou amando! Estou super animado, porque acho que uma das minhas metas e de muitas outras drags é entrar no Drag Race Brasil! Então eu estou tentando elevar ainda mais o meu trabalho, seja em looks, em cabelo, em maquiagem, em técnicas… Justamente para que quando chegue a minha vez de entrar no programa, eu arrase e represente tão bem quanto a nossa winner, Ruby Nox!