O Poste inaugura projeto “Luz negra: o negro em estado de representação” com “Àwọn Irúgbin” no terreiro e quilombo

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Espetáculo teatral da juventude afro-indígena chega ao Ilê Asé Iya Omim Opará, em Jaboatão dos Guararapes, nesta sexta (6), e ao Quilombo do Catucá, em Camaragibe, no sábado (7); apresentações são gratuitas, às 19h

O Poste inaugura projeto “Luz negra: o negro em estado de representação” com “Àwọn Irúgbin” no terreiro e quilombo

Espetáculo teatral da juventude afro-indígena chega ao Ilê Asé Iya Omim Opará, em Jaboatão dos Guararapes, nesta sexta (6), e ao Quilombo do Catucá, em Camaragibe, no sábado (7); apresentações são gratuitas, às 19h

O Poste Soluções Luminosas, do Recife/PE, abre as atividades do ano de 2026 com a estreia do projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”. A circulação começa com o espetáculo teatral pernambucano Àwọn Irúgbin — assinado pelo Núcleo O Postinho e O Poste, juntamente com a direção do recifense Samuel Santos —, que faz uma nova temporada neste mês de março (06 a 28/03), pela Região Metropolitana do Recife (RMR), com apresentações gratuitas no terreiro, no quilombo e também no próprio Espaço O Poste. Ao todo, são oito sessões nesse atual circuito. A classificação indicativa é livre.

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“Luz negra: o negro em estado de representação” compõe a rede de ações artísticas brasileiras fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes, entidade vinculada ao Ministério de Cultural do Governo do Brasil.

Nesta sexta-feira (06/03), a peça de teatro autoral da juventude afro-indígena é encenada no Ilê Asé Iya Omim Opará (terreiro de Pai Wagner), no bairro de Santo Aleixo, no município de Jaboatão dos Guararapes/PE, às 19h (rua Manoel de Sena, nº 126). Já no sábado (07), também às 19h, chega ao Quilombo do Catucá, no bairro Viana, no município de Camaragibe/PE (rua Ana Alves, nº 443). No Espaço O Poste, situado no centro do Recife (bairro da Boa Vista, rua do Riachuelo, nº 641), a agenda está com seis datas, sempre às 19h das sextas-feiras e sábados (13 e 14; 20 e 21; 27 e 28).

“O projeto ‘Luz negra: o negro em estado de representação’ traz como proposta ações de fruição, formação, criação e intercâmbio internacional nos quilombos, terreiros de matrizes africanas, teatros e na nossa casa, o Espaço O Poste. 2026 já é um ano histórico para nós porque ‘o negro em estado de representação’ é uma conquista coletiva que dialoga com memória, identidade e futuro”, declara Samuel Santos.

Àwọn Irúgbin significa sementes em iorubá, língua africana. O resumo textual do espetáculo diz: “Quatro jovens interpretam personagens e vivências da negritude e da cultura indígena em diferentes contextos. Nesta travessia, os elos se con(fundem) com as narrativas do nosso cotidiano. As histórias apresentadas se entrelaçam simbolizando as sementes ancestrais trazidas no corpo negro”.

Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo — artistas periféricos do Núcleo O Postinho — formam o elenco. Além da atuação e criação dos textos (dramaturgia), fazem a produção ao mesmo tempo das técnicas de som e luz. O fato coletivo de encenar e realizar a técnica na mesma hora também é diferencial para o conjunto da obra.

A peça começa acompanhando a história de uma jovem negra que encontra uma Iriti (significa esperança, na língua iorubá) e vai em busca de ser ouvida em um mundo que a silencia, descobrindo as referências ancestrais que a fazem falar e não ser mais silenciada. “O espetáculo fala da história de uma jovem indígena em retomada, que procura seu lugar no mundo diante de uma sociedade que invisibiliza sua existência. Durante a jornada, ela compreende que tudo isso pertence às suas avós indígenas”, conta Sthe Vieira.

Àwọn Irúgbin reúne temas como noites dos bailes charmes, transformação social, identidade racial e visibilidade da mulher negra, além da pauta de gênero. “Existe também outra jovem, que traz para a cena as histórias atravessadas pelas energias das mulheres da própria família, exaltando a sabedoria das mais velhas”, complementa Larissa Lira.

Pretende-se, por meio dos textos, levar o público para as encruzilhadas que compõem a cultura negra, pois “é preciso a imagem para recuperar a identidade” (Beatriz Nascimento). “A peça conclui com a cena de um jovem na procura de compreender a cor de sua própria pele e a ancestralidade que carrega, chegando à resposta ao encontrar o caminho das águas”, diz Thallis Ítalo.

Os textos escritos pelo próprio elenco, em parceria com Samuel Santos, têm como princípio os conceitos de “Escrevivência”, da escritora Conceição Evaristo, “Tempo Espiralar” e “Encruzilhada”, ambos da pós-doutora Leda Maria Martins. Além disso, também criam-se textualmente lugares de destaque para cada jovem, que interpreta o papel com cenas individuais e momentos coletivos. Larissa Lira, por exemplo, destaca Elza Soares.

“Essa obra teatral, que celebra o protagonismo da juventude, é uma criação coletiva a partir das escrevivências de cada atriz e ator do elenco, onde passado, presente e futuro se encontram nas cenas. A peça compartilha memórias, com cada cena falando da sua própria vida como corpo negro, unindo identidade e ancestralidade”, acrescenta Cecília Chá.

Atualmente na cena artístico-cultural local, Àwọn Irúgbin é um dos espetáculos mais apresentados do calendário teatral. Inclusive em 2026, conquistou espaço na cidade de São Paulo/SP no mês de fevereiro. Foram sete dias de programação, com apresentação na Casa Farofa (bairro Bela Vista, no centro), pelo “a_ponte: cena do teatro universitário”, realizado pelo Itaú Cultural; momento de aprendizado com a direção do Espaço O Poste sobre a concepção “O Corpo Ancestral Dentro da Cena” (oficina de treinamento corporal), no Itaú Cultural, na Avenida Paulista. A realização e a produção em SP são assinadas pelo Espaço O Poste.

As apresentações em 2025 aconteceram em diversos espaços tanto pela RMR como no interior de Pernambuco, chegando ao Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), com a realização no Centro Cultural do Sesc Garanhuns (Agreste); Festival Pernambuco Meu País, ocupando o TEA – Teatro Experimental de Arte de Caruaru (Agreste); e II Festival Tramas Negras (RMR). Vale lembrar que o espetáculo foi apresentado em várias sessões pela Ocupação Espaço O Poste, no ano passado.

Àwọn Irúgbin é fruto da “Residência O Postinho”, onde seis jovens negros/as das periferias da RMR vivenciaram uma residência artística no Espaço O Poste. No local, houve preparações para ator, atriz, voz, corpo, danças afrodiaspóricas e formações em história do teatro negro e dramaturgia. Na ocasião, as pessoas envolvidas também receberam compartilhamentos culturais e artísticos relacionados ao acesso aos projetos culturais, economia criativa e letramento étnico-racial, com base em referências negras que contribuíram e continuam a colaborar para as práticas contracoloniais e comunitárias.

“O núcleo de pesquisa ‘O Postinho’, focado na pesquisa em teatro negro, cultura periférica e afropindorâmica, surgiu da necessidade de o grupo ‘O Poste Soluções Luminosas’ formar e oportunizar jovens negros das periferias da Região Metropolitana do Recife. Essa formação teve como ponto de partida a pesquisa ‘O corpo ancestral dentro da cena contemporânea’”, pontua Samuel Santos.

Vale reforçar que o grupo e espaço de teatro “O Poste” é de artistas das culturas popular, preta e indígena. Está em atividade desde 2004, com raízes na ancestralidade, comunidade afroindígena e terreiro de matriz africana, sendo referência da arte autoral periférica e urbana, além da resistência por movimentar o centro do Recife com atividades artístico-culturais.

Territórios periféricos

O espetáculo já está com agenda de circulação garantida por escolas públicas e unidades do Compaz, com o objetivo de levar o teatro para as periferias locais. Em breve, o Núcleo O Postinho vai divulgar a temporada oficialmente.

O Poste Soluções Luminosas apresenta projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”

1ª atividade: circulação do espetáculo Àwọn Irúgbin no terreiro, quilombo e no próprio Espaço O Poste

Classificação indicativa: livre

Datas

06/03 (sexta-feira)
Local: Ilê Asé Iya Omim Opará (terreiro de Pai Wagner) – rua Manoel de Sena, nº 126, bairro Santo Aleixo, Jaboatão dos Guararapes/PE)
Horário: 19h

07/03 (sábado)
Local: Quilombo do Catucá – rua Ana Alves, nº 443, bairro Viana, Camaragibe/PE
Horário: 19h

13/03 e 14/03; 20/03 e 21/03; 27/03 e 28/03 (sextas-feiras e sábados)
Local: Espaço O Poste – rua do Riachuelo, nº 641, bairro da Boa Vista, centro do Recife/PE
Horário: 19h

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