Hoje o aCena Recifense bate um papo com um dos nomes mais expressivos da vida noturna e do circuito de música eletrônica de Pernambuco: a DJ e produtora Nadejda, fundadora do coletivo e festa MaddaM.
O ENCONTRO COM A MÚSICA:
“Quando criança eu era uma ávida ouvinte de rádio, adorava gravar as minhas músicas favoritas em fitas K-7 e passava horas inventando programações para a rádio. Já meus pais tinham gostos musicais muito diferentes e eu ouvia de tudo. Cheguei a estudar violão no Conservatório Pernambucano por 2 anos quando adolescente e cheguei a tocar em bandas de garagem. Então eu posso dizer que a música sempre teve um papel muito importante na minha expressão enquanto indivíduo. Ela me preenche e me emociona demais.”
“Quando eu comecei a tocar eu queria muito ter isso como profissão, mas ainda não sabia como fazer acontecer. Eu ainda dava aula no curso de Direito, tinha uma vida profissional já encaminhada e achava que iria mesmo ficar na área jurídica e educacional. Mas a vida é real e é de viés não é mesmo? E numa dessas reviravoltas que a vida dá eu saí do emprego na faculdade de Direito e entendi esse momento como uma oportunidade para tentar viver do sonho da música. Me dediquei a criar uma trajetória consistente na arte e sou muito feliz com essa decisão.”
“O interessante é que adentrar na cena eletrônica foi muito difícil. Os line ups sempre repetiam os mesmo nomes e nunca ou quase nunca tinha uma mulher tocando. Mas a dificuldade de adentrar a cena me fez começar um processo de conexão com outras DJs, de encontros em casa para mexer no equipamento, trocar conhecimento, tirar dúvidas e, principalmente, ouvir.”
A FESTA E COLETIVO MADDAM
“A MaddaM surgiu como uma resposta a toda essa estrutura misógina que sempre existiu na cena eletrônica, sendo uma festa protagonizada somente por mulheres no line e nas principais áreas da produção. Empregar mulheres em todos os setores do evento, divulgar o trabalho delas, criar uma rede de contatos e, principalmente, uma rede de apoio que impulsiona a circulação e o crescimento de cada uma foi que nos fortaleceu e nos mantém unidas até hoje.”
“Criar a MaddaM veio de um desejo foi muito além de tocar: veio do desejo de construir um espaço para mulheres na cena com respeito, profissionalismo e visibilidade real.”
“No momento sigo investindo no Estúdio MaddaM LAB (curso de discotecagem ofertado pela Maddam Music), nos processos formativos que desenvolvo e no fortalecimento da MaddaM como plataforma de criação, formação e circulação dentro da música eletrônica.”
EXPERIÊNCIAS MARCANTES
“Eu já toquei em palcos incríveis como RecBeat, Molotov, M.A.D.A, Carnaval do Recife, Festival Pernambuco meu País etc. e cada apresentação grande marca a gente por motivos diferentes. Tocar no retornoda MIMO em Olinda foi muito emocionante e simbólico pois foi na cidade onde eu cresci, Olinda, na praça do Carmo onde eu brincava quando criança. Esse ano toquei no Festival Vivo Música Recife onde abri pros showsde Duda Beat e Nando Reis, artistas que admiro, pude conhecê-los pessoalmente e trocar uma ideia. Experiências assim também trazem uma emoção especial.”
O FUTURO DE NADEJDA
“Tenho me dedicado cada vez mais aos estudos de composição e à produção musical, então em breve pretendo lançar trabalhos autorais. Para além do meu projeto artístico solo, meu principal foco é o e produzir a Coletiva MaddaM, que está passando por grandes reformulações esse ano, a começar pelo nosso portal www.maddammusic.com lançado em 2017 e que foi todo renovado esse ano.”
“Lá você encontra perfis de várias artistas da Região Nordeste e nossas ações como o Palco Medusa, o Estúdio MaddaM LAB com oficinas, mentorias e cursos de formação em DJ e produção musical, a agenda das artistas da coletiva e de muito conteúdo sobre música eletrônica, como todas as edições do programa Techtrônica, que fizemos na Rádio Frei Caneca.
Esse ano pretendemos realizaruma edição bem especial do MaddaM LAB, com uma programação bem bacana que pretendemos anunciar em breve!”