aCena Recifense entrevista Raquel Simpson

Escute a matéria

Reverenciando quem ajudou a moldar nossa cena, hoje batemos um papo com Raquel Simpson, artista com décadas de trajetória de Pernambuco e do Brasil! Confira:

O ENCONTRO COM OS PALCOS:

“Eu comecei minha carreira no Vivencial Diversiones. Um dia, quando estava com 17, 18 anos, minha vizinha, que trabalhava nessa casa como stripgirl, perguntou à minha mãe se ela podia me levar para ver o seu trabalho e minha mãe deixou porque tinha confiança nela. Quando cheguei lá, fiquei encantada, porque os artistas naquela época eram vistos com um outro olhar. Um olhar de curiosidade, de novidade, um olhar encantador. Eu disse ‘eu quero ser um desses artistas!’ e fui novamente na outra semana. Pedi uma chance a Guilherme Coelho, um dos fundadores do Vivencial, ele preparou um quadro de humor para mim e deu tudo certo!”

“De lá, participei de outras casa como a Ópera Buff e o saudoso Mangueirão, onde passei um bom tempo e fazia shows como várias cantoras como Shirley Bassey, Bonnie Tyler, Vanusa… Depois fui para o Gosto Caseiro, ser diretora artística e, de lá, trabalhei na Myst e depois eu comecei a viajar pelos estados. Em Maceió, passei dois anos, no Ceará, passei uns três, e ainda passei por Maranhão, Pará…”

A RELAÇÃO COM A ARTE DRAG:

Bem, na minha época não existia drag queen. Na minha época só existia ator que se vestia de mulher, o ‘transformista’. Minha primeira carteirinha do SATED foi como ator transformista e a segunda carteira foi palhaço, pois também atuei fazendo muitos personagens infantis e trabalhando com crianças. Mas fato é que só muito depois que veio surgir o termo ‘arte drag’, que é diferente para nós, travestis, fazendo show, ou para atores transformistas.”

“A arte drag está cada vez melhor e mais cuidadosa. Hoje nós temos a Ruby Nox, que representa o nosso estado de Pernambuco muito bem. É uma grande batalhadora, pessoa simples, humilde, que eu admiro muito! Eu fico muito satisfeita porque é outro gênero de arte. Então o recifense, o paulistano, o carioca, qualquer parte do Brasil tem várias artes pra ver: A arte do transformista, a arte da drag queen, e a arte da transexual fazendo show!”

O SUCESSO NO TEATRO E NO CINEMA:

“Eu gosto muito de fazer muito teatro. Já fiz espetáculos como ‘Tal e Qual, Nada Igual’, fiz ‘A Rainha do Rádio’, onde eu era Emilinha Borba, fiz ‘Salve-se Quem Puder’ e também produzi peças, como o espetáculo ‘Os Três Olhos’. A gente lotava o Teatro do Parque, lotava o Teatro de Santa Isabel.”

“Depois desses espetáculos, fui convidada para fazer um teste com o grande produtor e diretor de cinema Henrique Arruda. O primeiro filme que eu fiz foi ‘Os Últimos Românticos’, filme que ganhou vários prêmios. De lá para cá, estou fazendo várias produções com ele, como o também premiado ‘Filhas da Noite’ e, mais recentemente, terminamos o filme ‘Vinho Vivo’, que será lançado ainda!”

O TEMPO PASSA, MAS O TRABALHO CONTINUA:

“Bem, eu estou lançando três shows novos e sempre estou em busca de trabalhar na noite, porque isso é um prazer, um lazer e um hobby para mim. Fico muito feliz quando a casa me chama, me convida. Sou pontual, chego cedo, sou responsável, tenho figurino caprichado, ensaio meus números e procuro fazer cada vez melhor para satisfazer o público!”

“Bem, Raquel com a idade que está já é uma transformista idosa, mas ainda é uma satisfação para mim estar no palco.”

ONDE ENCONTRAR RAQUEL SIMPSON?

“Faço show na Nexus, na Metrópole, casa que me sempre acolhe, no Central das Estrelas, do produtor Jango Barros, na Termas Boa Vista, na Recife Spa… São os espaços que me apoiam, que não me deixam ficar em casa! E para quem mais quiser contratar meu show: estou aqui disponível, você não vai se arrepender, porque eu vou fazer o que há de melhor para você!”

Autor

Compartilhe