Teatro do Parque recebe o encerramento da temporada de “Farsa da Boa Preguiça”, clássico de Ariano Suassuna

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Após fazer a plateia do Teatro Barreto Júnior rir e refletir em seis sessões com as histórias de Joaquim Simão e Nevinha, Aderaldo e Clarabela, o espetáculo “Farsa da Boa Preguiça”, de Ariano Suassuna, encerra sua temporada de estreia com duas apresentações no Teatro do Parque. Dias 28 e 29 de agosto, às 19h30, a obra, escrita em 1960 e que acerta bem no alvo dos mais contemporâneos debates sobre fazeres e lazeres, é uma homenagem do grupo recifense Célula de Teatro ao autor, dramaturgo e romancista Ariano Suassuna, um dos maiores expoentes da literatura e da dramaturgia nordestinas, antecipando as comemorações de seu centenário, em 2027. 

Os ingressos custam R$ 60 e R$ 30 (meia) e estão disponíveis no Sympla.

“Optamos por seguir fielmente a obra de Ariano, porque ela tem como características a universalidade e a imperecibilidade: funciona em todo lugar do mundo, em qualquer época. Escrita há quase 70 anos, a “Farsa da Boa Preguiça” traz questões extremamente atuais. É um texto que tem muito a dizer sobre o hoje”, garante o diretor da peça, Domingos Soares.

Domingos conta que o espetáculo é fruto de uma maratona de dez meses de ensaios, precedida por um minucioso estudo sobre toda a obra de Ariano. Esse processo artesanal deu conta de conferir organicidade e maturação à montagem, que partiu do desejo de evocar um clássico do teatro nacional que se valesse do humor, da poética e da força que só a cultura popular nordestina é capaz de assegurar às artes da cena.

“Farsa da Boa Preguiça” combina elementos do auto popular, literatura de cordel e tradição oral nordestina, resultando em uma comédia de linguagem acessível e, ao mesmo tempo, sofisticada. A trama acompanha Joaquim Simão, poeta e cantador, que defende o direito à imaginação e à criação artística em um mundo marcado pelo pragmatismo e pela ambição material. Ele precisa lidar com os anseios por uma vida melhor de sua esposa, Nevinha, e com a avareza e a soberba de seus vizinhos Aderaldo e Clarabela, enquanto demônios e santos travam uma verdadeira batalha espiritual.

Com humor e ironia, o texto aborda temas que seguem atuais: o lugar da arte na sociedade, os conflitos entre criação e sobrevivência, a ética, a fé e os dilemas humanos diante das tentações do poder e do dinheiro, questões agravadas pela tirania dos aplicativos de comunicação e redes sociais, que nos confirmam sempre a serviço de nossas ambições, ganâncias e vaidades. 

A obra é repleta de brasilidade, retratando com maestria aspectos da cultura nordestina e costumes populares, expondo, por trás do riso, questões político-sociais e religiosas, além de trazer para o centro da narrativa a histórica e sistêmica dialética entre exploradores e explorados. 

O elenco é formado por Cavi Baso (Aderaldo Catacão), Djalma Albuquerque (Joaquim Simão), Domingos Soares (Manuel Carpinteiro), Eder Camargo (Miguel Arcanjo), Guto Santana (Quebrapedra, o Cão Caolho), José Miranda (Fedegoso, o Cão Coxo), Karol Spinelli (Andreza, a Cancachorra), Paula Mendes (Nevinha), Paulo Sérgio (Simão Pedro) e Roseane Tachlitsky (Clarabela).

“Ariano foi um homem de sólidas convicções que o levariam a inventar um universo mítico próprio, forjado no encontro dos clássicos da dramaturgia e literatura mundiais, produzidos por Shakespeare, Molière, Gil Vicente, Calderon de La Barca, Lope de Vega, Miguel de Cervantes e Plauto, com a tradição oral e popular nordestina, habitada por vaqueiros e repentistas, violeiros e cangaceiros, coronéis e fazendeiros, mentirosos e avarentos, valentes, frouxos e sabidos. Em sua obra, ele declara sua opção pelos oprimidos em detrimento aos opressores e exploradores, enaltecendo personagens que representam a parcela da população nordestina que sofre e luta por melhorias, que usa sua tenacidade e energia criativa para sua sobrevivência, em meio à exploração e à sonegação históricas de direitos”, diz Domingos. No teatro de Ariano, segundo ele, os arquétipos do herói e do bufão se confundem, numa jornada de reparação heróica e histórica, que garante o final feliz aos oprimidos. 

Sobre o grupo – O Célula de Teatro foi formado no Recife, em 2017, com o objetivo de abrir caminhos cênicos e coletivos, a partir de um criterioso repertório de textos e obras teatrais, para contribuir com o desenvolvimento cultural e intelectual da população pernambucana. Em 2019, estreou nos palcos com “As Bruxas de Salém”. Baseada na peça de Arthur Miller, a montagem cumpriu exitosas temporadas até 2024, levando ao debate público o tema da perigosa associação entre a religião e o exercício dos poderes públicos.

Em 2025, ao longo do processo de leitura e análise de textos teatrais, a companhia teve uma enorme identificação com o conjunto da obra dramatúrgica de Ariano Suassuna, cujo centenário será celebrado em 16 de junho de 2027. É esse legado, que festeja a riqueza cultural do sertão nordestino, a engenhosidade e alegria de seu povo, que o grupo quer confirmar como célula originária para dar origem a novos tecidos sociais.


Ficha Técnica:

Assistente de Direção: Cavi Baso | Cenários: Manuel Carlos | Figurinos: Roseane Tachlitsky, Winy Mattos & Djalma Albuquerque | Confecção se Figurinos: Ateliê Margarida Melo | Confecção de Máscaras: Ateliê Josy & Cláudio | Confecção de Acessórios: Iraneide Ariel | Preparação Vocal: Leila Freitas | Concepção de Iluminação: Ruana Toledo | Execução de Iluminação: Winy Mattos | Trilha Sonora Original: Felipe Maia (Midiout Estúdio) | Cavi Baso & Djalma Albuquerque | Execução de Sonoplastia: Victor Manoel | Maquiagem: Marco Salomão | Programação Visual: Eduardo Dealbar, Eder Camargo & Winy Mattos | Assessoria de Imprensa: Paula Schver | Produção Executiva: Paula Mendes | Assistente de Produção: Victor  Manoel | Patrocínio Cultural: Sindifisco Pernambuco

SERVIÇO

“Farsa da Boa Preguiça”
De Ariano Suassuna. Com o grupo Célula de Teatro
Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista, Recife
Dias 28 e 29 de agosto, às 19h30

Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia), à venda na Sympla
Link: https://www.sympla.com.br/produtor/celuladeteatro

Informações: @celuladeteatro
Classificação: livre

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