O fotógrafo bateu um papo especial com o aCena sobre sua carreira e a importância da fotografia no cenário local. Confira!
O ENCONTRO COM A FOTOGRAFIA
“Desde criança, já era interessado por diferentes expressões artísticas e o meu primeiro contato com a fotografia foi na época da cybershot, por volta de 2008. Naquela época eu me divertia e experimentava clicando paisagens, cenários, natureza e me apaixonei por criar imagens. No final do ensino médio, ao prestar vestibular, foi imposta aquela equivocada regra de que tínhamos que escolher uma profissão.”
“Naquela altura, eu já sentia que queria viver através da fotografia, mas não tinha visão nem referência de como isso poderia ser viável. Até que um dia, acompanhei minha mãe num estúdio fotográfico e, ainda mais encantando dentro daquele universo, perguntei diretamente ao fotógrafo se ele cursou faculdade e qual foi o curso, ele respondeu: Publicidade. Pronto, eu tinha escolhido naquele segundo como eu iria começar meu caminho profissional.”
“Cursei publicidade e propaganda, amava as cadeiras de fotografia, mas ainda não encontrava espaço no mercado para trabalhar com o que realmente queria e tive que atuar em agências de publicidade. Só em 2021 decidi largar o mercado de publicidade e focar apenas na minha trajetória como fotógrafo e isso foi uma virada de chave, me impulsionando ainda mais na fotografia.”
“A fotografia é a ilustração do agora. É memória viva e através dela, eternizamos corpos, expressões e afetos. É uma forma de dizer: estivemos aqui, somos beleza, somos diversos, somos história.“
ENTRE ESTÚDIOS E EVENTOS
“O estúdio é um ambiente muito confortável, totalmente controlável e que dá pra contar com previsibilidade. Já o trabalho em evento vem acompanhado de mais emoção. Por mais que sejam festas que eu frequentemente faço, nunca é a mesma coisa e para fazer boas fotos em eventos não basta criatividade e experiência, eu também tenho que contar com a estrutura de iluminação, decoração e principalmente animação e disponibilidade do público. É meio que um trabalho em conjunto.“
IMORTALIZANDO A CENA LOCAL
“Em 2016 fiz minha primeira cobertura fotográfica em uma festa que eu mesmo produzia e a partir desse momento comecei a receber convites de produtoras da cena recifense, como o Clube Metrópole, Malibu, Carola, Estelita, Tarantina e, mais tarde, a Golarrolê e a Brota. É bem difícil abdicar de sextas e sábados à noite ou ter que trabalhar com o público em dias que você não tá bem, mas é muito satisfatório ver os registros e o meu olhar sendo reconhecido pelos produtores e público.”
“Eu adoro registrar a espontaneidade, os sorrisos, a dança, os personagens da noite e valorizar a diversidade até em eventos que não sejam voltados para o público LGBTQIAPN+“
MEMÓRIAS (E CLICKS) MARCANTES
“Entre as minhas memórias favoritas estão a primeira Maledita, as Tarantinas de Halloween, o show da Marina Sena na Odara, Karol Conká na Batekoo, o festival Molotov, e os 3 últimos Love Noronha. Também o Olinda Beer e o Carvalheira na Ladeira, que apesar de não serem da cena LGBT+, são referências nacionais. Todos esses eventos têm um sentimento em comum: eu estava em eventos importantes, de que meu trabalho estava em evolução e que eu estava no caminho certo.”
“Ter alguém clicando a cena recifense é como construir um arquivo, afirmar existências, valorizar a cultura, documentar a moda, a música e as vidas.“