Hoje o aCena Recifense entrevista a cantora pernambucana Bela Maria, fenômeno nacional do R&B que lançou recentemente seu primeiro álbum de estúdio! Confira:
“TUDO QUE EU SINTO FAZ BARULHO”
“Esse álbum nasceu de um acúmulo de sentimentos que eu não conseguia mais guardar só pra mim depois de um tempo longo de bloqueio criativo. Entregar esse álbum ao mundo foi assustador e libertador ao mesmo tempo. É como abrir um diário que foi escrito com muito cuidado, mas sem filtros. Dá medo, mas também dá um alívio enorme, porque é verdadeiro.”
“Sempre escrevi como forma de sobreviver emocionalmente, e foi transformando essas emoções em música que construí minha autoestima, legitimando o que eu sinto. É poderoso amar ser você mesmo.”
“Esse álbum nasceu dessa vontade de afirmar pra mim e pra quem ouvir que sou (e somos) livres pra chorar, sorrir, amar, sentir tudo isso exageradamente, se eu quiser. Fazer cada uma dessas músicas me deu vontade de existir com amplitude e dar volume ao barulho do que sinto, simplesmente porque, na idade que eu tenho hoje, minha mãe e minhas tias não puderam, sabe? E eu posso, e quero mudar esse ciclo.”
AS DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS COM OS ANTIGOS TRABALHOS
“O que permanece é essa que escreve a partir do sentir. Isso nunca mudou e acho que é o que torna meu trabalho tão visceral. Mas de inédito eu tive a coragem de me aprofundar em assuntos que antes eu nem conseguia falar em voz alta e principalmente de me aventurar em novos ritmos. Nos singles, eu ainda testava caminhos, linguagens e limites. No álbum, eu me permiti ser mais crua, mais narrativa, menos preocupada em agradar e mais interessada em dizer exatamente o que precisava ser dito. É uma Bela Maria mais consciente de si, mas ainda em processo de evolução, mudança e autoconhecimento.”
UM DISCO COM “LADO A” E “LADO B”
“A ideia foi relembrar o formato dos vinis, onde o lado A era o lado mais “comercial” dos artistas o Lado B era onde eles podiam ser mais experimentais, mais vulneráveis. Veio da ideia de que muitas vezes, enquanto mulheres negras, precisamos manter uma capa de dureza e até mesmo “comercial” para garantirmos nosso lugar no mundo, mas debaixo de tudo isso, também sentimos, amamos, choramos, e temos o direito de sentir tudo isso, sabe? É preciso atrelar a delicadeza às mulheres negras também.”
“O lado A representa toda a autoestima que construí ao longo dos anos, meus aprendizados pra sobreviver nesse meio louco que é fazer arte, a carapuça forte que visto pra subir no palco… Já o lado B, é o que geralmente fica escondido: as vontades e desejos, a delicadeza, os medos, as vulnerabilidades, desilusões amorosas… eu quis respeitar essa dualidade porque ela é real. Não existe felicidade sem conflito, nem força sem fragilidade. O disco precisava refletir isso.”
AS PARCERIAS DO DISCO
‘Foram encontros muito verdadeiros. Tanto a N.I.N.A. quanto o Chris MC são artistas que têm identidade, discurso e sensibilidade. Trabalhar com eles foi somar visões porque teve muito respeito pelo que cada faixa queria dizer, e foi incrível como cada um encaixou perfeitamente em cada lado do álbum. Fez sentido emocional, estético e lírico e realmente tinha que ser com eles.”
OS PONTOS ALTOS DO PROJETO
“Acho que o ponto alto do álbum está justamente na sensibilidade do que eu trago em cada música. Nada ali é dito por acaso porque eu realmente me estudei muito pra falar sobre o que sinto. A produção do álbum também é um destaque essencial, Itoo conseguiu traduzir sonoramente tudo o que eu queria comunicar, as músicas tem muita variedade de ritmo, mudanças de flow, de mood, de texturas, e isso tudo amplia o impacto das letras. “
O FUTURO DE BELA MARIA
“Quero levar esse disco para o palco, e no meio desse caminho, explorar novas sonoridades, aprofundar minha identidade artística e me aproximar do público que me abraça tanto desde o começo até esse lançamento. Esse álbum é só um início muito bonito, e ele abre espaço para vários outros projetos que trago pro público em breve: sessions, feats… Esse vai ser o ano do meu barulho!”