aCena Recifense entrevista BIONE

Escute a matéria

E a entrevista da semana do aCena é com uma das maiores representantes do rap pernambucano: BIONE, artista que acabou de lançar seu mais novo single, “Subversiva”, canção que abre alas para seu novo album de estúdio. Confira:

DA POESIA AO RAP

“Eu comecei com a poesia falada. Meus raps eram escritas puras e eu não entendia de música, mas o meu berço de recital, de Slam, me fez acreditar muito nessa ideia da métrica, nessa ideia de fazer rima. Depois eu percebi que rimar e ter métrica significava fazer Rap. A partir disso, a música entra na minha vida, mais precisamente em 2019, com ‘Sai da Frente’, que é a minha primeira mixtape, meu primeiro trabalho musical como artista lançado pela Aqualtune, que assumiu minha carreira desde o início. Antes disso eu já tinha gravado uma música para um EP de Bixarte e daí eu já vislumbrei: ‘nossa, eu também quero fazer um EP!’”

“Nesse trabalho está a faixa ‘Deixa as Garotas Brincar’, que faz referência a um beat muito bom que estava na minha cabeça e que dizia ‘deixa os garotos brincar’. Então se era para mudar para ‘deixa as garotas brincar’, eu tinha que falar sobre o machismo e sobre o empoderamento. Por isso eu já começo cantando: ‘dizem que sou fraca e sabem que sou bem mais forte que eles’. É uma música escrita para as mulheres cantarem e que eu quero levar a cada trabalho. Então se um álbum meu tiver 10 músicas, uma delas será uma ‘nova versão’ de ‘Deixa as Garotas Brincar’, porque eu acho que essa música é atemporal e que sempre vai precisar estar sendo cantada por mulheres!”

O ENCONTRO COM O SLAM DAS MINAS

“O Slam das Minas é a primeira batalha que eu chego onde só mulheres recitam. Ele tem toda essa liberdade de ser construído por mulheres, do júri ser formado por mulheres, das competidoras serem mulheres… de haver uma energia 100% feminina. O Slam das Minas tem uma importância para mim no sentido de ter me dado um início, deu poder acreditar nas minhas letras. Então, por esse motivo, enquanto houver batalhas aqui, sempre haverá a possibilidade de eu colar lá para recitar. Eu gosto de ir para o Islã para ver as outras garotas que estão iniciando também. É assim que a gente cria uma cadeia de poder, de força e de cash.”

DA VOZ AO PAPEL – O LIVRO FURTIVA

“‘Furtiva’ é o meu primeiro e único livro. Eu pretendo escrever outros, mas eu estou concentrada na música. Eu amo o rap, porém eu acredito muito que consigo fazer outro livro, já que ‘Furtiva’ nasceu antes do rap. A galera estava acostumada a me ver falar de preto morrendo, falar de coisas pesadas… E aí eu estava sentindo um peso também, tendo que, com 16 anos, escrever sobre isso e produzir sobre isso. Mas eu sabia que também podia falar sobre amor e daí surgiu a ideia de fazer um livro de poesias de amor. ‘Furtiva’ veio para dizer que você pode ser sensível, você pode ser tranquila, você pode amar, você pode ter os seus medos também. Por ser quem eu sou, às vezes eu tinha mais bandeiras para levantar do que braços, então ‘Furtiva’ veio como um respiro.”

O SIGNIFICADO DO TRABALHO DE BIONE

“Se eu fosse me importar mesmo com ‘visibilidade’ eu estaria muito, muito lascada, porque eu não sou o tipo de artista que vai fazer música para estourar. Nenhuma música minha, por exemplo, bateu 100 mil visualizações. A questão é que eu e minha equipe acreditamos na ideologia que o meu trabalho tem. Porém os desafios existem e eles surgem a partir de falta de condição. Não tenho acesso a certas coisas e esse é o meu problema com a estrutura. O que eu preciso é de mais investimentos, poder remunerar melhor as profissionais que trabalham comigo e ampliar a equipe, ter mais estrutura boas de trabalho para poder entregar mais e também pessoas para ouvir. De resto, nada me abala. Nada, nem ninguém. Estamos aí para fazer acontecer o nosso corre, sempre acreditando muito no que a gente faz!”

O SINGLE ‘SUBERSIVA’

“‘Subversiva’ é uma música que tem conexão com o Rio de Janeiro. Tudo começou com um vídeo meu que viralizou onde eu questiono ‘quantos raps de mina tu sabe de cor?’. A partir disso recebi uma mensagem do DJ Natan, CEO da Rock Danger, gravadora da qual também faz parte Major RD, artista que também é referência para mim. Então quando eu vi que a Rock Danger estava me dando qualquer tipo de moral, pensei: ‘cara, eu preciso de uma reunião com ele’. A gente teve uma reunião aqui no Recife e isso me levou até o Rio, onde gravei algumas faixas que devem entrar no meu próximo disco.”

“Na música eu falo sobre a questão estrutural da periferia. Infelizmente o tráfico, o crime, são realidades próximas da juventude periférica, coisas vão te levar em algum momento da vida ao fundo do poço. Eu não me rendi a essas coisas na minha juventude quando eu precisava pagar minha própria comida, então a partir daí eu já subverti tudo! Eu quis acreditar na minha arte, na minha música! Subverter é isso!”

O PROJETO ‘PIRRÁLOUKA’

“‘PirráLouka’ é o meu terceiro grande projeto musical, do qual já estou trabalhando com empenho para lançar até o final do ano. O álbum ta sendo construído com muito cuidado e sintonizado com tudo que acredito e as referências musicais que moldam a minha personalidade musical. A gente tem muito material para lançar de maneira estratégica valorizando o conceito, porque a gente não quer que isso se perca, sabe? Independente de número, vai que uma música dessa estoura, né?”

O FUTURO DE BIONE

“Eu acho que o meu futuro tá tão pertinho! Meu futuro está tão próximo que eu não consigo pensar, por exemplo, daqui a 5, 6 anos. Por mais que eu diga que quero ter uma casa melhor, que quero conseguir dirigir um carro, que quero dar um conforto máximo para minha família, eu acredito muito no passo a passo. Nesse mês, a gente já tem evento em Brasília. Nos próximos temos shows na Bahia. E tem esse disco que to gerindo com calma, sentido cada pedacinho. Já já ele tá na pista e quero voltar aqui pra contar tudo para vocês!”

Autor

Compartilhe