aCena Recifense entrevista Paulilo

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Diretamente da Bahia, Recife recebe mais uma vez o calor & o axé de Paulilo, multiartista que desembarca na cidade para shows que prometem fazer o público ferver!

1. De que maneira a música surgiu na sua vida e em que momento ocorreu a decisão de se tornar uma artista?

“A música está na minha vida desde a infância. Minha família sempre foi muito musical e festeira. Minha família paterna ouvia muito MPB, música internacional e discoteca. Já a minha família materna ouvia também muita música brasileira: samba, MPB, pagode etc. Minha avó materna era artesã, minha mãe é diretora de teatro e a mulher dela é cantora de uma banda de rock. Meu pai é designer gráfico e meu irmão faz hip hop. Eu nasci numa família de artistas mesmo! Eu cresci no teatro e ficava na coxia enquanto minha mãe se apresentava e, enquanto ela ensaiava, assistia da plateia dublando as falas que eu já sabia. Então meio que eu já nasci artista, né?”

Na segunda série do ensino fundamental eu estrelei uma peça da festa junina da escola e foi um sucesso! As mães adoravam, eu fui genário, e a minha amiguinha na época foi a menina. Então foi ótimo, foi uma peça muito gostosinha de fazer, eu era criança, mas mães adoraram, minha mãe adorou, todo mundo se apaixonou, e desde daí eu participava das produções da escola anualmente. Sempre tinha uma peça de teatro, uma coisa, eu sempre tava participando. Depois entrei pro teatro pra acompanhar quem ia me fazer a parte, enfim, e fui desenvolvendo meu caminho artístico.

2. Como e por que nasceu o projeto Paulilo Paredão?

“O Paulilo Paredão nasceu no meu aniversário! A mãe de um amigo tinha um bar em uma periferia aqui perto e pedi para fazer meu aniversário lá. Chamei várias amigas e foi uma delícia! Só LGBTs curtindo, se divertindo, se apresentando, tocando… Tinha artistas que não tinham visibilidade, mas estavam ali tendo um pouco. Vi um potencial naquilo e pedi permissão ao bar para a gente fazer o evento de forma mensal e a gente continuou a fazer mensal. Foram cinco edições até o bar fechar. Mas vendo que estava dando certo eu comecei a investir na line-up, investir numa curadoria de artistas LGBTs que não tinham tanta visibilidade, mas que tinham potencial!

Também apliquei no projeto o que eu via como grande deficiência nos eventos que eu tocava: a falta de variedade de pessoas e de artistas LGBTs. Além disso, os rolês eram muito centralizados, focados no centro e na orla, então eu também quis descentralizar o rolê, levar as pessoas a conhecer outros picos, para a periferia! No começo era um rolê bem de bairro mesmo, mas que depois começou a ganhar visibilidade e fazer com que outros eventos também agissem de forma descentralizada. Eu ganhei muita visibilidade com o Paulilo Paredão e sinto que foi um projeto que ajudou muita gente também!”

3. De que forma pode ser descrita uma pista comandada por Paulilo? (obs: responder pensando que o leitor será uma pessoa que nunca vivenciou um set seu)

“Meu set é baseado no que eu ouço aqui no meu bairro, na minha cidade e no que eu posso agregar para fazer uma mistura gostosa!. Eu pego o bregafunk de Recife, eu pego pisadinha de Natal… Vou pegando coisas dos lugares que eu passo, coisas que eu vi que eu acho que são interessantes, e misturo com o que é meu, com os sons que a gente ouve aqui. A gente escuta muito pagodão, rap, axé, arrocha, mas a Bahia se apaixonou pelo brega funk, então a gente também ouve muito brega funk!”

É um set que é feito pra dançar, ouvir, cantar, curtir, rir… um set para que cada pessoa possa sentir alguma coisa!

4. Qual a sua relação com a cena artística de Pernambuco?

5. Como é voltar a se apresentar no Recife?

Minha relação com os artistas de Pernambuco é incrível, muito gostosa desde o início! Desde a primeira vez que fui para Recife, eu fui muito abraçada pelas pessoas. Uana, Milena Cinismo e Iury Andrew foram umas das primeiras pessoas que eu conheci de Recife aqui em Salvador, e depois vieram nomes como Gabriela, Amun-Há em vários outros! Em Pernambuco eu me apaixonei pelas pessoas, pela energia das pessoas e pelas amizades que eu fiz. Tenho uma relação muito gostosa com artistas pernambucanos e espero estreitá-las, espero conhecer mais nomes e poder contribuir com o que eu posso e também trazer um pouco desse axé de vocês também para mim e para Salvador!”

“Toda vez que eu vou a Pernambuco eu volto revigorada, feliz, com energia e um pouco mais de ânimo e de confiança no meu trabalho. Eu sinto que eu estou fazendo a coisa certa, que eu estou indo para o lugar certo! Voltar a me apresentar em Pernambuco é como recarregar a minha bateria artística e social também! Amo conhecer gente nova, gente gostosa, conhecer lugares bons, música boa… Enfim, eu amo estar em Recife, amo estar em Pernambuco!”

6. O que podemos esperar de sua passagem por Pernambuco?

“Muita baixaria, muita música gostosa, passeios inebriantes pela orla recifense e ó: que fique claro que eu quero dar um pulinho em um brega de rua também, um brega funk, um baile, viu? Quero uma coisa assim, bem raiz pra conhecer essa parte que eu ainda não conheço. Quem sabe um baile na Várzea? É isso que eu espero e o que podem esperar da minha passagem por Pernambuco!”

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