A banda Bruxos de Nadí, de Recife (PE), lança “Azul Queda Livre”, sua primeira sessão audiovisual ao vivo. Gravada em um único dia no Quilombo Criativo, em Olinda, a live reúne seis faixas do quarteto de rock psicodélico, três do EP de estreia e três do álbum em produção, “Palavras Garoa”, que chega ainda em 2027. A estreia acontece no dia 13 de setembro, no canal da banda no YouTube.

Na sessão, os Bruxos apresentam três músicas de cada trabalho. Do EP “A Fruta Que Tá Vindo” (2025) vêm “Pássaros e Drones”, “Cabeça, Não” e “Conselho”. Do álbum que a banda grava agora vêm “Anzol”, “Palavras-Garoa” e “As Ondas”.
O título da live conversa diretamente com o novo álbum. Se o EP registrava as canções na forma como funcionam ao vivo, com os quatro tocando juntos, “Palavras Garoa” inverte a lógica e trabalha sobreposição de camadas, loops e efeitos, construindo uma paisagem sonora aquática e retrofuturista, feita de azul, submersão e mistério íntimo. “Azul Queda Livre” fica no meio-termo entre as duas coisas: o material novo tocado de uma vez, na sala, sem rede.
A sessão aposta na cenografia para contar a passagem de um disco para o outro. A arte e a cenografia são de Jennifer Santos, Alice Gomes e Diá Santana. O set tem tecidos suspensos, figurino assinado por Nadí, e a cor conta a história: o vermelho do EP vai sendo invadido pelas texturas claras e azuladas do álbum que vem. Espalhadas pelo set, velas e taças facetadas, daquelas de servir gelatina em festa de aniversário, recebem luz por dentro e devolvem laranja de um lado e magenta do outro. A nostalgia é doméstica e proposital.
“A cenografia toda é sobre transição. Tem as folhas outonais e tem o vermelho sendo invadido por texturas claras, azuladas, aquáticas. É uma linha outono-inverno”, conta Nadí. “A live marca o entremeio de duas fases: a do fruto otimista e maduro, e a do mergulho, do contato com outros demônios. E não é um lugar pessimista, é mais sobre as dores de se perceber.”
A banda se formou em 2022, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, quando Nadí (guitarra e voz) e Caetano Bruxo (bateria), os dois maranhenses, encontraram Guilherme Rosa (guitarra e voz). Desse cruzamento com o Recife vem o que o grupo chama de psicodelia pernambucana-maranhense. Matheus Dalia entrou no baixo em 2026, a tempo de gravar a sessão. Ao vivo, o quarteto alonga as músicas em passagens improvisadas, com quebras bruscas de dinâmica e trechos deixados em aberto, o que faz com que uma mesma canção raramente soe igual entre dois shows.
“Escolhemos três músicas de cada trabalho. Do EP, são as melhor estruturadas pro formato de show, e são as que conversam melhor com as três do álbum que estamos produzindo, que tem uma atmosfera mais densa”, explica Nadí. “Todas fazem parte de um repertório que a gente foi criando com a intenção de ter um show como ondas, com fases mais alegres e fases mais sombrias. A live tenta unir esses movimentos mantendo ao máximo a fidelidade ao que tocamos juntos no palco, mas viajando nas possibilidades que a gente foi abrindo ao tocar essas faixas, experimentando e brincando mais.”
A gravação aconteceu em abril de 2026, no Quilombo Criativo, em Olinda, em uma única diária. A captação e a engenharia de som ficaram por conta do ZEFO, com mixagem de Guilherme Rosa. Áquila Félix assina a direção de fotografia e a montagem. A produção é dos próprios Bruxos de Nadí em parceria com o Selo Painho.

EVENTO DE LANÇAMENTO
No domingo, 13 de setembro, a produtora recifense Lifes Too Short realiza o lançamento de “Azul Queda Livre” no Pico (Rua Itaimbé, 263, Ipsep), das 16h às 22h. A entrada é gratuita e aberta ao público. Além da exibição da live na íntegra, a festa tem DJ set dos próprios Bruxos de Nadí.
FICHA TÉCNICA | “AZUL QUEDA LIVRE”
Arte e cenografia: Jennifer Santos, Alice Gomes e Diá Santana
Figurino: Nadí
Direção de fotografia: Áquila Félix
Assistente de fotografia: Diá Santana
Produção: Bruxos de Nadí e Selo Painho
Edição e montagem: Áquila Félix
Assistente de montagem: Diá Santana
Captação de som: ZEFO
Engenharia de som: ZEFO
Mixagem: Guilherme Rosa
Guitarra e voz: Nadí
Guitarra e voz: Guilherme Rosa
Baixo: Matheus Dalia
Bateria: Caetano Bruxo
SOBRE OS BRUXOS DE NADÍ
Bruxos de Nadí é uma banda de rock psicodélico formada em 2022, no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, quando Nadí (guitarra e voz) e Caetano Bruxo (bateria), maranhenses, encontraram Guilherme Rosa (guitarra e voz) no Recife. Dessa mistura vem o que o grupo chama de psicodelia pernambucana-maranhense: um trabalho independente que atravessa referências da música nordestina e do rock experimental, construído pela sobreposição de guitarras moduladas e blocos de repetição. Matheus Dalia assumiu o baixo em 2026. O EP de estreia, “A Fruta Que Tá Vindo”, saiu em outubro de 2025, gravado inteiramente em casa. Depois do lançamento, o grupo passou por casas como o Bolacha Discos e Coisas e o Tejú Nazaré, e pelos festivais Udigrudi e Exporock. O segundo trabalho, “Palavras Garoa”, também independente, chega em 2027, e algumas de suas faixas aparecem pela primeira vez na live session “Azul Queda Livre”.
