Documentário “Jardim Ancestral” narra a força e a história dos baobás em Pernambuco

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O documentário Jardim Ancestral destaca a beleza, história e simbologia dos baobás, árvores conhecidas como “árvores da vida”. O filme explora a ligação entre a África, berço da espécie, e o Brasil, mostrando Pernambuco e Recife como locais com grande concentração dessas árvores fora do continente africano. A obra combina poesia e linguagem visual para apresentar a importância ambiental, cultural e religiosa desses gigantes da natureza.

O curta acompanha avô, pai e filho em busca de um baobá que sirva de metáfora para memória e ancestralidade. Seis árvores de Pernambuco são retratadas como símbolos de resistência, ligação familiar e preservação da história. O filme mostra as copas, raízes e galhos atravessando gerações, reforçando a ideia da natureza como guardiã de lembranças e da importância de preservar esses exemplares.

“O filme nasce da vontade e do desejo de celebrar a força, a imponência e a beleza dos baobás do Recife e de Pernambuco. Essas árvores guardam histórias profundas que são símbolos de resistência da cultura negra no nosso estado”, afirma Mateus Guedes, diretor e roteirista. O elenco inclui Orun Santana, Gilson Santana (Mestre Meia Noite) e Lottus Santana, com direção de produção de Ana Sofia. O curta busca circulação em festivais nacionais e internacionais.

O documentário é fruto do projeto Raízes, que catalogou audiovisualmente os baobás de Pernambuco. Mateus Guedes, pesquisador há mais de cinco anos sobre a relação das árvores com a cultura negra, desenvolveu o inventário em parceria com Ana Sofia. O resultado está disponível no site www.osbaobas.com.br, mostrando imagens de algumas das espécies mais imponentes do estado.

No Recife, cerca de 150 baobás sobrevivem, algumas com mais de três séculos, e 14 já são tombadas por lei. Quatro das árvores retratadas no filme ficam na capital, em locais como Praça da República e Jardim do Baobá, e duas em Ipojuca, em Suape e Porto de Galinhas. Esses exemplares carregam tradição afrodescendente, inspirando ritos, poesias e celebrações da resistência negra, ligando passado e presente com força simbólica.

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