Começou nessa sexta a 13ª edição do Festival Internacional de Artes Pão e Tinta, na comunidade do Bode, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. O evento vai até domingo (7) e transforma a favela com grafites, rimas e performances artísticas, celebrando o cinquentenário do Hip-Hop com o tema “Quebrada de Mar e Mangue”. Mais de 30 artistas, entre pernambucanos e convidados nacionais e internacionais, participam, criando murais que destacam identidade, ancestralidade e preservação ambiental.
“Quando nós fazemos essa manifestação cultural dentro da comunidade, estamos também fazendo um debate importante sobre o direito ao território, ou seja, a gente está usando a arte como ferramenta de demarcação de território para debater direito ao território e direito à cidade”, afirma Matheus Drama, do Coletivo Pão e Tinta. Além dos grafites, o festival terá shows, batalhas de rima, rodas de diálogo e oficinas acessíveis, incluindo graffiti em Libras e painéis táteis para pessoas com deficiência visual.
“A Arte nos dá o poder para pintar um novo futuro, adaptando e fortalecendo o território através das vivências para que assim possamos subverter a margem transformando-a em um espaço mais acolhedor e inclusivo para todes, uma arte que soma ao invés de excluir.”, completa Inay Victoria, também do Coletivo Pão e Tinta. Cada artista doará uma obra para a Pinacoteca do coletivo, e o leilão de peças terá o objetivo de democratizar o acesso à arte e financiar ações culturais na comunidade.
O festival homenageia dois ícones brasileiros: Chico Science, líder do movimento Manguebeat, e Josué de Castro, médico e pesquisador pioneiro no estudo da fome. Durante os três dias, a Livroteca Brincante do Pina receberá apresentações de rap, coco, dança de rua e poesia falada, todas com audiodescrição ao vivo, intérpretes de Libras e espaços adaptados. Com transmissões online, fotos e vídeos, o evento mostra ao mundo a força criativa das periferias ribeirinhas de Recife.