O Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Recife, abre neste sábado (27), das 15h às 18h, a exposição “Tudo dá”, dedicada à artista Lia Letícia. A mostra segue em cartaz até 9 de novembro de 2025, com visitação de quarta a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h. Radicada em Pernambuco desde 1998, a gaúcha consolidou sua trajetória em Olinda, após experiências no carnaval do Sul. Desde então, construiu uma obra marcada por colaborações e crítica às visões elitistas da arte.
A mostra ocupa todos os andares do museu e se organiza em quatro núcleos temáticos. No térreo, “Nesta terra, tudo dá” reflete sobre extrativismo e resistência a partir da filosofia da abundância. Já “Artista desconhecida”, no primeiro andar, explora o humor iconoclasta presente na obra da criadora. O núcleo “Arriar a bandeira” confronta o triunfalismo do poder, enquanto “Desculpe atrapalhar” reúne trabalhos sobre desigualdades urbanas.
Ao longo da carreira, Lia Letícia transitou por diversas linguagens, entre performance, pintura, vídeo, cenografia, curadoria e educação. Sua prática ultrapassa os limites de galerias e museus, fincando raízes nas ruas, nas comunidades e em espaços coletivos. Essa atuação múltipla só recentemente ganhou espaço em uma grande instituição cultural. A exposição no MAMAM busca apresentar forças centrais de sua poética, sem pretensão de abranger toda a sua trajetória.
Entre memórias insurgentes, ironias políticas e criações colaborativas, a exposição destaca permanências no percurso da artista. O caminhar como método, a estética da abundância e traços anárquicos atravessam sua produção. Com gestos críticos e poéticos, Lia Letícia reafirma sua vocação em reinventar linguagens e desafiar fronteiras. Em “Tudo dá”, inscreve a arte na vida como potência criativa e transformadora.