Com referências do sertão, Clayton Barros lança disco “Primitivo Atemporal”

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Clayton Barros canta, escreve e toca violão para levar o Sertão e sua identidade própria por onde for. Atualmente, ele realiza o desejo de lançar o primeiro álbum da carreira solo, cujo título é “Primitivo Atemporal”. A obra autoral do cantor, compositor e violeiro pernambucano, natural do município de Arcoverde, reúne dez canções com produção musical do próprio artista. Além disso, traz a participação das cantoras pernambucanas Flaira Ferro, do Recife, e Jéssica Caitano, de Triunfo (Sertão do Pajeú), e do rapper BNegão (RJ), fundador do Planet Hemp. 

Conheça @claytonbarrosoficial – https://bit.ly/4waXJnz 

Ouça “Primitivo Atemporal” – https://bit.ly/45DuOOa 

O lançamento é uma realização conjunta com o selo Estelita (PE). Já a capa do álbum é composta por uma fotografia do pernambucano Fred Jordão, do município de Bonito (Agreste). As músicas foram gravadas em três estúdios pernambucanos: Estúdio Estelita (Recife), Casona Estúdio (Jaboatão dos Guararapes) e Estúdio Cacimba (Recife). João Felipe Cavalcante (PE) e Felipe Weinberg (PE) assumem a engenharia das gravações, com Weinberg à frente também dos arranjos, mixagem e masterização das canções. 

“Primitivo Atemporal” tem incentivo público, com financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) – Recife, por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife.  

“O disco ‘Primitivo Atemporal’ fala sobre o Sertão desde a capa até as letras e ritmos das músicas. O álbum por si só conecta princípios diferentes que existem ao mesmo tempo. Por exemplo, a partir da capa, vai do gibão a motocicleta, do passado ao futuro. Então, ‘Primitivo Atemporal’ é uma obra que homenageia os povos dos Sertões, que seguem lutando por sua sobrevivência, identidade e importância histórica”, explica. 

É justamente em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, que Clayton consegue ver a chegada da tecnologia e sua transformação, assim como vivenciar arte, cultura, comércio, educação e a troca com mestres, mestras, artistas, grupos culturais e acessar novas ideias, conceitos, invenções, descobertas e experiências. 

“Primitivo Atemporal vai dos tempos primitivos até a diversidade do território, com povos originários, entradas, bandeiras, invasão, luta, miscigenação, a cultura e a relação com a natureza, instinto, misticismo, conhecimento autóctone e personagens em desenvolvimento ao longo do tempo. ‘Primitivo’ mostra o comportamento e a história do sertão e do seu povo. Já ‘Atemporal’ busca destacar o resultado da nossa face primitiva nos dias atuais, o aprendizado e conhecimento que nunca envelhecem mesmo com tecnologias modernas. Uma visão de futurismo em contraponto com sabedoria ancestral, a utilização e adaptação de novas tecnologias, como a capa do disco com um vaqueiro de gibão montado na motocicleta. Tento criar um portal de passagem entre esses dois momentos no espaço-tempo”, detalha. 

Quatro violões foram gravados por ele — nylon seis cordas, aço seis cordas, 12 cordas de aço, nylon ovation, considerado um clássico, ou seja, das antigas —, e mais uma guitarra. As canções do álbum são “Ancestral”, “Barco Sem Rumo”, “Primitivo Atemporal”, “Rio de Janeiro/Moxotó”, “Serena”, “Tempo É Agora”, “Corpo Inteiro”, “Mais Além”, “Venha ao Cais” e “Faroeste”. A faixa-título “Primitivo Atemporal” é uma parceria com BNegão na voz e na composição. Jéssica Caitano soma nos vocais, pandeiros e letra da música “Ancestral”, enquanto Flaira Ferro contribui com a voz na canção “Serena”. 

“O violão está sempre como a base originária das músicas, com diversos ritmos e gêneros como samba, rap, repente, baião, eletrônico, funk, rock e MPB. Digo que é natural para mim trazer ritmos e estilos diversos nas composições, justamente por conta desse repertório que vem da infância e continua crescendo a cada descoberta. Existe uma prática em ritmos desde a adolescência e sempre lembro de bandas marciais, fanfarras, ritmistas no carnaval do sertão, artistas da feira, da rua e do espaço público”, declara.   

A música “Rio de Janeiro/Moxotó” tem as presenças de André Zahar, do Rio de Janeiro, como compositor, e Tonino Arcoverde, natural de Palmares/PE, na Zona da Mata Sul, e criado no município de Arcoverde, na segunda voz. Quem também está no álbum é Fernando Catatau (CE), da banda cearense Cidadão Instigado, com participação na gravação das guitarras da música “Venha ao Cais”. 

No faixa-a-faixa, “Ancestral” fala sobre o amor instintivo, animal; “Barco Sem Rumo” é uma referência a cena do filme de animação As Bicicletas de Belleville; “Primitivo Atemporal” traz o tema da invasão ao sertão nas entradas e bandeiras e a luta dos povos originários e cultura negra num dos maiores massacres que já aconteceram no Nordeste; “Rio de Janeiro/Moxotó” faz uma ponte imaginária entre o sertão do Moxotó/Ipanema (região de Arcoverde/PE) e o Rio de Janeiro; “Serena” fala da entrega total em todos os aspectos, sonhos e realizações; “Tempo É Agora” é uma reflexão sobre o tempo e as marcas que carregamos; “Corpo Inteiro” tem como referência a música religiosa do Candomblé, percorrendo o sertão como um vaqueiro atrás do último boi em seu derradeiro gibão; “Mais Além” destaca a visão de sossego, a paz de voltar a viver no interior, no sertão da futura infância; “Venha ao Cais” trata de desejo e paixão ainda não consumados; e “Faroeste” entra como tema instrumental que busca inverter o fluxo da história, criando um sertão conduzido plenamente pelos povos originários e a cultura negra. 

Vale reforçar que o músico Clayton Barros é fundador do Cordel do Fogo Encantado, criado em Arcoverde no ano de 1997. No grupo pernambucano até hoje, atua como violonista, além de compositor e cantor em conjunto com José Paes de Lira (Lirinha). As suas criações, relações e contribuições diretas para a banda potencializam a trajetória enquanto artista e ajudam nos novos caminhos. 

“Aos 16 anos de idade, comecei a carreira na música, tocando MPB nos bares e outros estilos. Foi em Arcoverde também que junto com José Paes de Lira (Lirinha) a gente fundou o Cordel do Fogo Encantado, banda que marca carreira em grupo. A partir daí, o violão fica enraizado, assim como a poesia autoral e produções culturais e artísticas diversas. E com certeza essas influências que ganharam destaque na produção musical brasileira encontram-se nas dez canções de Primitivo Atemporal”, conta. 

O artista disponibiliza músicas autorais na internet desde 2021. Sendo assim, são cinco anos de lançamento nas plataformas digitais, reunindo canções com Chico César (PB), em 2021 (música/composição “Açude Negro”), Marco Polo (PE), cantor e compositor da banda Ave Sangria (PE), no ano de 2023 (música e composição “Menino de Asas”) e mais recentemente com Jorge Du Peixe (PE), cantor e compositor da banda Nação Zumbi (PE), em 2025 (música/composição “Flor de Vulcão”). 

Além dessas parcerias, possui o EP “Miscigenação” – ao vivo (2019), juntamente com Isaar (PE), Juliano Holanda (PE) e André Zahar, e canções únicas como “Assum Preto” (2019), a de estreia da carreira solo, e “Vida de Violeiro” (2023). Também assina lançamentos das canções e composições de “Os Brasileiristas” (2022), com Maciel Melo (PE), e “Baseados no Frevo” (2024), em conjunto com Juba Valença (PE), filho de Alceu Valença. Outra obra disponível no mundo virtual é “Miscigenação 2” – ao vivo (2024), que reúne Clayton Barros, Isaar, Juliano Holanda, Nego Henrique e Emerson Calado – estes dois últimos atuam como percussionistas do Cordel do Fogo Encantado.  

Shows

Sua performance musical solo está sendo realizada nos espaços locais, públicos e artístico-culturais. Nesta sexta-feira (7 de agosto), Clayton Barros se apresenta com composições autorais e violões pela programação do “Projeto Seis e Meia”, no Teatro do Parque (bairro da Boa Vista, centro do Recife), em show de abertura para o cantor e compositor recifense Michael Sullivan, atualmente com 76 anos de idade. 

Em julho, Clayton fez show junto à banda no centro do Recife (Espaço Villa 219), pela programação do Rock Cordel, festival promovido pelo Banco do Nordeste Cultural com 19 edições realizadas. No mesmo mês também houve uma apresentação com banda no palco da Fenearte, em Olinda/PE. Em 2024, apresentou-se ao lado da banda em Arcoverde, na Praça da Bandeira, no centro da cidade, convidando para o palco Françua Gomes, musicista do Samba do Coco Raízes de Arcoverde e filho do mestre Ciço Gomes, do Coco Trupé de Arcoverde. No ano de 2025 foi a vez de conquistar espaço no REC’n’Play Festival, tocando no Som na Rural (PE), no Bairro do Recife. 

Inclusive, nos shows, já reproduz a maioria das músicas do disco, além de canções próprias gravadas pelo Cordel do Fogo Encantado, entre elas “Boi Luzeiro” (Clayton Barros/Lirinha) e “Chover” (Clayton Barros/Lirinha).   

Ficha técnica do álbum “Primitivo Atemporal”

Composição, vozes, violões, guitarra e produção musical: Clayton Barros

Arranjos, mixagem e masterização: Felipe Weinberg 

Engenheiros de gravação: João Felipe Cavalcante e Felipe Weinberg

Gravações: Estúdio Estelita (Recife/PE), Casona Estúdio (Jaboatão dos Guararapes/PE) e 

Estúdio Cacimba (Recife)

Participações: Jéssica Caitano (voz e composição), BNegão (voz e composição), Flaira 

Ferro (voz), André Zahar (composição) e Fernando Catatau (gravação das guitarras na música “Venha ao Cais”)

Capa do álbum e fotografias: Fred Jordão

Assessoria de imprensa: Alessandra Braz (nacional) e Daniel Lima (local)

Realização: selo Estelita (Recife)

Incentivo público: financiamento do edital do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) – Recife, por meio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Secretaria de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Recife

Faixa-a-faixa por Clayton Barros

Ancestral (Clayton Barros e Jéssica Caitano)

“Fala sobre o amor instintivo, animal. Sobre uma volta à percepção e utilização dos nossos instintos diante um mundo tão virtualizado e digital, onde as emoções e sensações são cada vez mais sufocadas e deixadas de lado pelas limitações e ressecamento das sensibilidades que algumas tecnologias tem causado. E também um baião ao meu modo, com violões dedilhados num riff constante e frenético. Tem um refrão mais ao pé do ouvido, quase sussurrado, como um cheiro no cangote. Tem participação de Jéssica Caitano (PE) nos vocais, pandeiros e composição”.

Barco Sem Rumo (Clayton Barros)

“É uma referência a uma cena do filme de animação: Bicicletas de Belleville, quando a avó atravessa o mar num pedalinho em busca do neto, por isso a frase: “Atravessando o mar de bicicleta…”. Um dos autores dessa música contava a história de um fotógrafo que deu a volta ao mundo numa bicicleta, fotografando e contando essa aventura, e que ele queria criar uma bicicleta com vela para atravessar o mar. Também traz o amor como a calmaria das tempestades e que quer enfeitar de flores o concreto das cidades. É uma capoeira tocada no violão”.

Primitivo Atemporal (Clayton Barros e BNegão)

“Título do álbum, esse tema aborda a invasão do sertão nas entradas e bandeiras, a luta dos povos originários e miscigenados sendo empurrados e exterminados sertão adentro, num dos maiores massacres que já aconteceram no nordeste colonial. Tem participação de BNegão (RJ) nos vocais e composição”.

Rio de Janeiro/Moxotó (Clayton Barros e André Zahar) 

“Essa música traça uma ponte imaginária entre o sertão do Moxotó/Ipanema (região de Arcoverde-PE) e o Rio de Janeiro, terra de André Zahar, parceiro com que compus a letra. O arranjo vai se construindo a partir da voz e do violão até eclodir na percussão e beats eletrônicos e samples. Term participação de Tonino Arcoverde nos backing-vocals e traz as paisagens do sertão sob estrelas de néon, Uma visão onde a poeira e fuligem dos prédios vão fecundando novos prédios e destruindo a paisagem histórica das arquiteturas que contam o que fomos e o que somos. A necessidade de senhas para adentrar os paraísos”. 

Serena (Clayton Barros)

“Um baião mântrico, eletro-orgânico. Fala da entrega total em todos os aspectos, nossos sonhos e realizações. Da força que nos leva adiante e que atrai os frutos e resultados do que criamos e fazemos. Traz uma indagação sobre a imortalidade, de sermos plantados feito sementes de novos guerreiros. Tem a participação de Flaira Ferro (PE) na voz”.

Tempo É Agora (Clayton Barros)

“Uma reflexão sobre o tempo, as marcas que carregamos. Um samba inspirado nos tempos antigos. Tem presença marcante de bandolim, cavaquinho e violão, onde as vozes grave e aguda se misturam criando texturas e um refrão que destina a continuidade da vida no balanço incansável e obstinado da humanidade”.

Corpo Inteiro (Clayton Barros) 

“Com forte referência da música religiosa do Candomblé, essa faixa percorre o sertão, como um vaqueiro atrás do último boi em seu derradeiro gibão. O amor que se dá de corpo inteiro para toda vida”.  

Mais Além (Clayton Barros) 

“A visão de sossego, a paz de voltar a viver no interior, no sertão da futura infância. A fogueira, água em abundância. Também fala de companheirismo e luta. A visão paradoxal da chuva no deserto, simbolizando dias de fartura e a transformação constante da vegetação do sertão”.

Venha ao Cais (Clayton Barros)

“Uma canção de desejo e paixão ainda não consumados, Os sonhos reais, ter o controle do tempo nas horas de amor, o poder do amor retardando o amanhecer. Fala também sobre a força do espírito em manter contato através de sonhos, ela foge do céu prum reencontro entre planos de diferentes existências. O amor e a saudade. Essa faixa tem a participação de Fernando Catatau (CE), da banda Cidadão Instigado, na gravação das guitarras. 

Faroeste (Clayton Barros)

“Tema instrumental que busca retratar a expulsão dos invasores europeus, invertendo o fluxo da história, criando um sertão conduzido plenamente pelos povos originários e miscigenados, uma versão fictícia de vitória sobre os colonizadores e repaginação da sociedade”.

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