“Noturna”: Banda Eddie lança novo disco e anuncia turnê pelo Brasil

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Um novo Eddie e o velho e bom Eddie caminham de mãos dadas pelas ladeiras de Olinda em “Noturna”, álbum da banda pernambucana que chega às plataformas de streaming dia 2 de agosto. O 11º disco em 37 anos de música traz 11 faixas, dez assinadas por Fabio Trummer (duas delas em parceria com Samuel Mota) e a décima-primeira, fechando a obra, de autoria do valoroso e saudoso amigo Erasto Vasconcelos. Há participações de JR Tostoi e Zé Cafofinho, entre outros parceiros, em uma celebração sonora que já anuncia as primeiras datas confirmadas para ocupar os palcos do país, passando por São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Maceió, Caruaru, Brasília, Natal e Belo Horizonte [agenda abaixo].

Sobre “Noturna”, escreve o jornalista e pesquisador Fábio Victor:

Um novo Eddie porque “Noturna” traz ritmos e elementos latinos nunca antes explorados pela banda, como cumbia, salsa e bolero. E porque o novo trabalho consegue renovar o estilo caleidoscópico que é a marca de um projeto tão longevo, acrescentando maturidade ao frescor de sempre.   

Mas o velho e bom Eddie, nascido em 1989, segue íntegro. Ecletismo e versatilidade distinguem a banda desde o nascedouro, e ao longo de uma trajetória de quase quatro décadas fizeram a crítica festejar a “mistura de punk, frevo e dance”, de “Nirvana com Carnaval”, “pós-punk praieiro” e outras tantas associações. É o que, no título do seu segundo álbum, o próprio grupo sintetizou como Original Olinda Style.

Agora, uma das bandas mais inventivas do país se renova para manter sua essência. “As referências musicais de ‘Noturna’ vão do pós punk à chanson francesa, passam pela surf music dos anos 60, bossa nova, latinidades clássicas, jazz, Depeche Mode, o pop a Elton John… Mas buscando sempre nossa identidade acima das possíveis homenagens aos nossos heróis da música”, ilustra Fabio Trummer, vocalista, guitarrista e principal compositor do Eddie – além de único remanescente da formação original da banda.

“Reafirmamos nossas escolas, de João Gilberto a Johnny Ramone, usando uma estética de banda de garagem, elementos do dub, um acabamento rústico na sonoridade, costurando referências para criar um universo particular”, diz Trummer, que reconhece: “Ficou com a cara do Eddie Original Olinda Style mais maduro”. Segundo seus integrantes, “Noturna” é o disco em que a banda articula mais claramente suas ideias musicais e seu trabalho mais melódico até aqui. É difícil discordar.

FAIXAS – O mergulho começa com a canção que dá título ao álbum. “Noturna” (Trummer e Samuel Mota) é um quase um bolero psicodélico, em que a guitarra do vocalista e os teclados e sintetizadores de André Oliveira imprimem um tom de cabaré soturno enquanto Trummer declama: “O medo, a fúria, o calor das palavras/ Nas sombras, luxúria, o fim da madrugada/ Trafegas, noturna, no fio dessa navalha”.

Mas logo “Tudo Pode Ser” (Trummer e Samuel Mota) mostra que estamos num disco do Eddie, e desde o título essa salsa desbragadamente eddiana atesta uma das grandes características da banda: a festa como antídoto à realidade. Em “Saudade da Folia”, frevo e caboclinho – outra dança típica pernambucana – são turbinados por rock’n roll, e metais se unem à guitarra, ao baixo, teclado e bateria, como moldura para uma letra inspirada.

A cumbia “Vou Chamar Meu Povo” é um espelho do encontro entre o Eddie clássico e o atual. “É a faixa em que mais busquei usar elementos diferentes em relação à base e timbres”, afirma Trummer. Um dos recursos usados em busca da sonoridade desejada foi gravar num baixo Fender Telecaster 72. Em se tratando de uma banda que desde os primórdios valorizou e ajudou a revelar grandes cantoras – Buhr, Isaar, Sofia Freire –, desta vez é Julia Carvalho quem encanta na bela balada “Outra Solidão”.

A bossa nova comparece em “A Tua Verdade”, temperada por flauta e assobios. E o fim de um relacionamento ganha roupagem de reggae, com pegada folk à Bob Dylan (um belo realejo faz as vezes da gaita do bardo estadunidense), em “The End”.

Há espaço até para uma canção de ninar, a instrumental “Titi e Tom Tom”, cuja melodia Trummer cantarolava anos atrás para ninar seus filhos bebês enquanto os balançava na rede. Gravava no celular o canto que agora transpôs para a guitarra, enriquecida pela rabeca e o bandolim de Zé Cafofinho. Completam o álbum outra balada matadora, “Poema Mudo”, em que sobressai o arranjo do naipe de teclados; “Terra Sem Lei”, crônica desencantada em que o Eddie soa como si próprio e lembra ao mesmo tempo Cidadão Instigado; e “Poema da Paz”.

Esta última é a única, entre as 11 músicas do disco, que não é composta pela banda. É da lavra do velho amigo e parceiro Erasto Vasconcelos, morto em 2016, quando seu maior hit, “O Baile Betinha”, já havia se tornado também um dos grandes sucessos do Eddie. A gafieira é a mais executada da banda no Spotify.     

“Poema da Paz” é um pouco menos dançante, mas carrega o DNA de Erasto, o irmão de Naná que unia sofisticação rítmica com simplicidade lírica. Em mais um reencontro com o velho Eddie, a voz do finado Erasto foi transposta de uma gravação e fundida às demais. Por fim, a banda revigorou suas origens ao gravar em Olinda e com um antigo parceiro de estúdio, o produtor Buguinha Dub, com quem já haviam feito um dos grandes álbuns de sua trajetória, “Carnaval no Inferno” (2008). “Ele tem também essa vibe olindense no seu trabalho e queríamos, quase 20 anos depois, todos mais maduros, potencializar nossas musicalidades”, comenta Trummer.

Turnê Noturna – primeiras datas confirmadas:

13 e 14/08 – São Paulo (Sesc 14 Bis)

29/08 – Caruaru (Festival Pernambuco Meu País)

12/09 – Brasília (Festival Jurema Dança) 

19/09 – Belo Horizonte (Autêntica)

17/10 – Rio de Janeiro (Circo Voador)
12/11 – Natal
14/11 – Recife (Teatro do Parque)

26/11 – Maceió (Rex Bar)

Ficha Técnica – Noturna


Banda Eddie:

Fabio Trummer – Voz, guitarra e violão
Andre Oliveira – Teclados e trompete
Rob Meira – Baixo
Kiko Meira – Bateria

Músicos Participantes:

JR Tostoi – Guitarra | Maestro Babá – Trombone | Leandro Gervásio – Tuba | Sofia Mota – Vozes | Sofia Teixeira – Vozes | Julia Carvalho – Vozes | Vitor Trummer – Flauta | Samuel Mota – Teclado e violão | Icaro Annes – Escaleta | Gilsinho – Percussão | Zé Cafofinho – Rabeca e bandolim | Gaspar Andrade – Realejo


Produção Musical: Fabio Trummer e Buguinha DUB | Coprodução: Samuel Mota | Mix: Buguinha DUB | Master: Arthur Joly | Estúdios: Mundo Novo – Olinda e Zarabatana Records – Brasília | Produção Executiva: Fruta Pão Produção – Olinda

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